Teoria em Construção: vídeo
Os profº Dr. Gabriel Marroig, do Departamento de Genética e Biologia Evolutiva, explica à Revista Pesquisa FAPESP como a evolução dos mamíferos é estudada atualmente. Ele fala do estudo de caracteres associados para entender melhor os processos evolutivos.
Carnívora de MG descoberta no Facebook
Drosera magnifica foi descoberta em foto no Facebook
Um time internacional de botânicos do Brasil, Estados Unidos e Alemanha descreveu uma nova espécie de planta carnívora popularmente conhecida como “orvalhinha” (gênero Drosera, família Droseraceae), que foi descoberta crescendo no topo de uma montanha no leste de Minas Gerais. A nova espécie, que foi nomeada Drosera magnifica, por causa de seu tamanho e aparência excepcionais, é a maior do seu tipo conhecida nas Américas, atingindo um comprimento total de mais de um metro e meio (1.5 m). A espetacular folhagem carnívora, com folhas longas e finas que podem atingir 24 centímetros de comprimento, são bastante pegajosas e reluzentes.
Embora descobertas de espécies novas não sejam incomuns, mesmo hoje em dia, a forma como essa nova planta carnívora foi descoberta é bem inusitada: ela foi descoberta por meio de fotos publicadas no Facebook. A foto, publicada em 2012 por Reginaldo Vasconcelos, orquidófilo e entusiasta da flora nativa, foi tirada durante uma de suas andanças nas montanhas próximas à sua cidade, Governador Valadares, no leste de Minas Gerais, e logo chegou ao conhecimento dos especialistas em plantas carnívoras, Paulo Gonella e Fernando Rivadavia, que, imediatamente, identificaram a planta como uma nova espécie e planejaram uma expedição para estuda-la na natureza. Gonella é aluno de Doutorado em Botânica pelo IB/USP, sob a orientação do profº Dr. Paulo Takeo Sano.
A nova espécie foi publicada no renomado periódico internacional [Phytotaxa], incluindo uma detalhada descrição científica da planta e uma breve história da sua inusitada descoberta.
“O gênero Drosera, ao qual essa nova espécie pertence, é o maior grupo de plantas carnívoras, compreendendo cerca de 250 espécies distribuídas pelo mundo todo, mas principalmente em áreas tropicais da Austrália, África do Sul e Brasil”, afirma o Dr. Andreas Fleischmann do Jardim Botânico de Munique (Alemanha), um dos autores do trabalho. Essas plantas produzem folhas cobertas por glândulas ou “tentáculos”, que secretam gotículas de uma mucilagem viscosa e pegajosa. Esses tentáculos vermelhos e reluzentes são visualmente atrativos e constituem uma armadilha mortal para pequenos artrópodes, especialmente pequenos insetos voadores.
De fato, “mesmo sob condições de alta umidade, neblina e chuva observadas no topo da montanha onde essa espécie cresce, as longas e finas folhas da Drosera magnifica estavam, surpreendentemente, cobertas com inúmeros insetos”, aponta Fernando Rivadavia, especialista nessas plantas e que estudou as plantas na natureza em 2013, logo após sua descoberta no Facebook.
Na maioria das espécies de Drosera, os tentáculos e até mesmo as folhas são capazes de se movimentar, se dobrando sobre a presa capturada, aprisionando-a com mais mucilagem adesiva e aderindo-a em mais tentáculos. Os insetos, então, morrem sufocados e são lentamente digeridos por enzimas secretadas pela planta. Essa “dieta carnívora” garante uma fonte extra de nutrientes, como o nitrogênio e o fósforo, uma vez que essas plantas costumam habitar solos pobres em nutrientes.
É interessante que uma espécie tão grande e conspícua tenha permanecido incógnita até agora, ainda mais crescendo numa das áreas mais desenvolvidas do País e não tão distante de grandes centros urbanos. É mais um exemplo do quanto ainda temos a descobrir sobre a flora do Brasil, uma das mais ricas do mundo.
Infelizmente, a Drosera magnifica mal foi descoberta e já enfrenta risco de extinção. A nova espécie foi encontrada em apenas uma montanha, rodeada de pequenas fazendas com criações de gado e plantações de café e eucalipto. Espécies invasoras de gramíneas foram observadas quase até o topo da montanha, que foi quase totalmente desmatada e não é protegida por nenhuma área de preservação ou parque nacional. “Temos esperança de que a descoberta de uma espécie nova tão extraordinária chame a atenção para a necessidade de se preservar esse frágil ecossistema. Foi uma grande surpresa para todos nós descobrir que essa área foi tão pouco estudada por botânicos, podendo abrigar diversas novas espécies de plantas que ainda não foram descritas para a ciência”, relata o botânico Paulo Gonella, doutorando do Laboratório de Sistemática Vegetal da Universidade de São Paulo, que atualmente realiza seu doutorado sanduíche em Munique, na Alemanha. Outras montanhas próximas foram exploradas pelos cientistas, mas, até agora, nenhuma outra população dessa rara planta foi encontrada.
A genética das Américas
Pra engrossar ainda mais o caldo que é a discussão sobre a ocupação humana das Américas, novas evidências genéticas revelam que os índios brasileiros têm algum parentesco com aborígenes australianos e africanos. A profª Dra. Tábita Hunemeier, recém-contratada pelo Departamento de Genética e Biologia Evolutiva do IB/USP, é uma das autoras do artigo recém-publicado na Revista Nature.
O artigo intitulado "Genetic evidence for two founding populations of the Americas" foi tema de reportagens na Folha de São Paulo e no Jornal O Globo. A profª Tábita conta nas reportagens que teve de rever as teorias anteriores para tentar explicar seus resultados. "Quando eu vi os resultados pela primeira vez, tive primeiro de desconstruir alguns argumentos que me pareciam muitoi sólidos, para depois repensar e construir novos", disse a profª Tábita à Folha.
Conheça o Projeto Semear Ciência
O Centro de Pesquisa sobre o Genoma Humano e Células-Tronco (CPGH-Cel) é um dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID) financiados pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). Como tal, incorpora ações de divulgação científica direcionadas ao público em geral e ao ensino de Ciências. Uma das mais recentes ações é o [Projeto Semear Ciência], que atua nessas duas esferas. Iniciado em 2014, tem como objetivo principal divulgar temas importantes em Genética. Cartazes espalhados pelas escolas públicas e pelas estações de metrô foram o veículo escolhido para chamar a atenção do público.
Via o QR Code disponibilizado nos cartazes (aquela figura em mosaico que, quando filmada, dá acesso a conteúdos exclusivos), é possível acessar o hotsite do projeto e obter mais informações. Os educadores têm ainda o recurso adicional de clicar na aba [“Como posso abordar esse tema com meus alunos?”] e encontrar sugestões de sequências didáticas. Os dois conjuntos de cartazes já produzidos podem ser baixados a partir dos respectivos hotsites.
O autismo no Brasil
Você sabia que o dia 2 de abril foi instituído pela ONU como Dia de Conscientização do Autismo? A doença acomete uma a cada 110 pessoas no mundo. Acontece que a doença tem diagnóstico difícil, e por isso um grande time de cientistas se esforçam para entender a doença, bem como suas bases genéticas.