Prof.ª Dr.ª Elizabeth Höfling, professora titular do Departamento de Zoologia do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (USP), concedeu entrevista à agência de notícias G1 sobre a escolha de postes urbanos para a construção de ninhos de aves, conforme foto enviada pela leitora Miki Isozaki de um ninho de sabiás abandonado, que foi reformado por um casal de bem-te-vis, entre um poste e um transformador em uma rua da Vila Sônia, na Zona Oeste de São Paulo.
A leitora conta que “os passarinhos não escolheram uma árvore como residência de seus filhotinhos, mas não foi por falta não, pois bem pertinho daqui existe uma enorme praça cheinha de árvores gigantes e fortes”. De acordo com a Dr.ª Höfling, “na realidade, em um ambiente urbano, tudo acontece. Não que seja um comportamento normal, mas é um comportamento que muitas espécies adotam”, conta. Ela afirma que as aves montam sua moradia nos equipamentos de eletricidade dos postes porque provavelmente oferecem abrigo da chuva e de predadores.
“O ato de construir o ninho é uma maneira do casal de pássaros estabelecer as suas relações. Eles podem reaproveitar [ninhos de outras espécies] e dar a sua 'reformada'. Um ninho comum de bem-te-vi não tem essa forma. Ele não faz ninho em buraco. Normalmente, é um ninho volumoso para o tamanho do bicho. Se vê que esse daí aproveitou a situação e 'reformou'”, relata.
A professora afirma que a presença dos animais ali não representa nenhum tipo de risco para os humanos.
A Eletropaulo, em nota, disse ao G1 que "os equipamentos do poste não oferecem risco elétrico ao ninho. Entretanto, uma equipe será enviada ao local para avaliar possíveis modificações que possam afetar os pássaros. Na análise será levado em consideração o comportamento da fauna e, se for necessário a manipulação da rede muito próxima ao ninho, os filhotes serão levados para o DEPAVE-3".

