Maria José de J. Silva e Yatiyo Yonenaga-Yassuda
O DNA telomérico consiste de seqüências
TTAGGG repetidas em tandem, extremamente conservadas, que estão
presentes nos cromossomos dos vertebrados. Após hibridação
in situ fluorescente (FISH) essas seqüências são observadas
não apenas nos telômeros dos cromossomos, mas também
em regiões intersticiais e pericentroméricas em algumas espécies.
A origem funcional dessas seqüências não-teloméricas
não foi ainda esclarecida, mas já foram levantadas hipóteses
de que elas podem representar, por exemplo, resquícios de telômeros,
resultantes de rearranjos do tipo fusão ou inversão cromossômica
durante a evolução cariotípica. Sabe-se que em Nectomys
squamipes existem dois cariótipos básicos: 2n=52 e
2n=56, que possivelmente representam duas espécies distintas; os
prováveis mecanismos envolvidos na diferenciação desses
dois cariótipos são eventos de fusões em tandem em
autossomos. Além disso, há uma variação desses
números diplóides de 2n=52 a 59 e isto decorre da adição
de zero a três cromossomos supernumerários em cada um dos
cariótipos básicos. A hibridação in situ de
sondas de seqüências teloméricas em exemplares de N.
squamipes com 2n=52 e 2n=57 revelou marcações somente teloméricas
em autossomos, inclusive nos cromossomos 1 e 4 do cariótipo com
2n=52 que são originários, respectivamente, da fusão
em tandem entre os cromosomos 3 e 11 e entre o 5 e o 24, partindo do cariótipo
com 2n=56. Surpreendentemente, o cromossomo supernumerário (B),
além das marcações teloméricas, mostrou um
grande bloco intersticial proximal no seu braço longo. Poder-se-ia
aventar a hipótese de que este cromossomo representaria um "reservatório"
de seqüências teloméricas, ou que tais seqüências
seriam resquícios de telômeros resultantes de rearranjos cromossômicos
ou, ainda, estes sítios intersticiais seriam constituídos
por DNA altamente repetitivo de seqüências "telomere-like".