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Projetos

Revisão taxonômica e filogenia do gênero Aramides Pucheran, 1845 (Aves: Gruiformes: Rallidae)
Aramides cajanea
Os Gruiformes são consideradas uma das mais heterogêneas ordens de aves e sua classificação é ainda controversa. Os Rallidae, a maior das 12 famílias da ordem, são aves semi-aquáticas de pequeno a médio porte, furtivas, e com vocalizações conspícuas. O gênero neotropical Aramides, no qual são aceitas atualmente sete espécies, está incluído na subfamília Rallinae e na tribo Eulabeornithini. Aramides cajanea é a única espécie politípica do gênero, incluindo nove subespécies. Os limites e diagnoses dessas subespécies não são bem-estabelecidos, e a subespécie A. c. cajanea apresenta grande variação de plumagem. Também são incluídas no gênero as espécies A. ypecahaA. mangleA. saracuraA. axillarisA. calopterus e A. wolfi. Destas, A. ypecaha e A. mangle demandam mais estudos taxonômicos. A única filogenia do gênero publicada foi realizada sem discussão prévia da validade dos táxons terminais. O objetivo desse trabalho é realizar uma revisão taxonômica e propor uma filogenia do gênero Aramides, com base em caracteres morfológicos externos e vocais. Como referencial para a delimitação de espécies, será adotada a diagnosticabilidade das populações. Peles taxidermizadas de exemplares do gênero serão analisadas para caracteres de plumagem e morfometria. Caracteres de vocalização serão inferidos com base em sonogramas. A filogenia será gerada de acordo com o critério da parcimônia, e o cladograma resultante será enraizado com base em grupos-externos.

Biologia reprodutiva da arara-azul-de-lear (Anodorhynchus leari) na Estação Biológica de Canudos, BA. - Erica C. Pacífico de Assis
Anodorhynchus leari
A arara-azul-de-Lear é uma espécie endêmica da Caatinga e ameaçada de extinção devido à destruição dos seus hábitats. Descoberta em 1823, e confundida por muitos anos com a arara-azul-de-pantanal, só foi descrita como espécie à parte em 1856. A área de ocorrência da espécie permaneceu desconhecida por quase cem anos, até que o alemão H. Sick descobriu a primeira população na natureza, em 1978, na região do Raso da Catarina, norte da Bahia, onde havia apenas 40 araras. Estima-se que a população atual esteja em cerca de 1000 indivíduos, graças a criação de parques que protegem os dormitórios e os ninhos das araras e a ações educativas realizadas pelo ICMBio – CEMAVE e Fundação Biodiversitas. As atividades reprodutivas da arara-azul-de-Lear foram exclusivamente registradas dentro de cavidades naturais em formações rochosas de arenito (paredões) que podem atingir até 100 metros de altura. A Estação Biológica de Canudos (Canudos, BA) é uma RPPN da Fundação Biodiversitas que abriga um dos principais dormitórios e áreas de nidificação da arara, onde através da pesquisa "Biologia Reprodutiva", que iniciou em 2008, foram registrados cerca de 30 ninhos de araras. Esta pesquisa visa detalhar a biologia reprodutiva desta espécie, acessando os ninhos das araras através do método de descensão vertical (rapel), para coleta de dados sobre a fertilidade dos casais e o seu sucesso reprodutivo. Este estudo se justifica pela ausência de informações sobre a biologia da arara, além de contribuir na redução da captura ilegal de filhotes, já que estes são anilhados e microchipados para monitoramento. O trabalho de campo ocorre entre os meses de Dezembro e Abril e visa acompanhar todo o processo reprodutivo das araras até 2011.

Taxonomia, Filogenia E Distribuição De Cercomacra Sclater, 1858 (Aves: Thamnophilidae) - Vagner A. Cavarzere Jr
proj
O gênero Cercomacra pertence à família Thamnophilidae, endêmica do Neotrópico, e inclui 12 espécies, das quais 10 podem ser encontradas no Brasil. Seus representantes são florestais, cuja distribuição geográfica é predominantemente amazônica. Dois grupos monofiléticos podem ser reconhecidos com base nas diferenças de plumagem, vocalização e tipo de ninho. Do total de espécies, oito são atualmente consideradas monotípicas, mas para o gênero já foram reconhecidas 22 subespécies. Embora existam diversas inconsistências nomenclaturais, nenhum estudo buscou revisar taxonomicamente este gênero, da mesma forma que apenas uma tentativa de inferir relações filogenéticas de apenas um de seus grupos foi conduzida até o momento. Assim, os objetivos desta tese de doutorado serão realizar, pela primeira vez, a revisão taxonômica e a filogenia do gênero Cercomacra com base em caracteres morfológicos, osteológicos e vocais, testar seu monofiletismo, e mapear a distribuição dos seus terminais. Serão analisados caracteres de plumagem, osteológicos e morfométricos, além de caracteres vocais, de espécimes depositados nas principais coleções ornitológicas do Brasil e do exterior, mas prevê-se a coleta de exemplares adicionais para complementar as análises. Será utilizada a análise filogenética para inferir sobre as relações das espécies e produzido o cladograma mais parcimonioso dessas relações. Análise de variância será realizada para comparar os dados morfométricos entre os táxons, evidenciando possíveis diagnoses, e a Análise de Componentes Principais poderá auxiliar na confirmação da validade dos terminais. A distribuição de cada um dos táxons considerados válidos também será realizada.

Taxonomia e distribuição geográfica dos representantes do gênero Phaethornis Swainson, 1827 (Aves: Trochilidae) - Vítor de Queiroz Piacentini
Phaetornis sp.
Phaethornis Swainson é o segundo maior gênero, em número de táxons, dentro da família Trochilidae (beija-flores), sendo reconhecidos 55 táxons atribuídos a 25 espécies nas obras mais recentes. Pelo menos outros 56 táxons já foram descritos dentro de Phaethornis, mas estes acabaram considerados como sinônimos, formas intermediárias dentro de alguma clina ou mesmo híbridos. Não obstante, tal classificação não é consensual entre os pesquisadores e muita controvérsia permanece no que tange à invalidação de alguns táxons como sendo híbridos (e. g. Phaethornis longuemareus aethopyga) ou sinônimos (e. g. Phaethornis maranhaoensis), da mesma maneira que permanecem abertas as discussões sobre a subordinação de alguns táxons como subespécies ao invés de considerá-los espécies plenas (e. g. P. margarettae). As incertezas sobre a validade e limite dos táxons acabam refletidas numa dificuldade em se estabelecer a distribuição geográfica de cada uma das formas de Phaethornis. As conseqüências que surgem desta taxonomia incerta do gênero comprometem estudos biogeográficos, ecológicos, filogenéticos, evolutivos e principalmente de conservação das espécies. Por tudo isso, faz-se imperativa uma revisão abrangente dos representantes atualmente alocados no gênero Phaethornis. O presente projeto visa realizar tal revisão a partir da análise morfológica de espécimes conservados nas principais coleções ornitológicas do Brasil, Estados Unidos e Europa, bem como em informações obtidas em viagens de campo complementares nas vezes em que essas viagens se fizerem necessárias.

Taxonomia Alfa e Distribuição do representantes do gênero Aburria (Aves: Cracidae) no Brasil - Patrícia Lopes
O gênero Aburria compreende os membros mais arborícolas da família Galliformes e seus representantes são caracterizados por possuírem a plumagem negra, partes nuas (face e barbela) vivamente coloridas e uma crista branca bem desenvolvida (Sick, 1997). As diferenças na coloração da plumagem são sutis entre os táxons, e ocasionaram diversos erros na identificação dos espécimes. Distribuem-se geograficamente por toda região norte dos Andes, Venezuela, Colômbia, Brasil, Paraguai e uma pequena área ao sul da região Neártica (Delacour & Amadon, 1973; Sibley, 1990; del Hoyo, 1994; Sick, 1997; Brooks & Strahl, 2006). Habitam florestas tropicais úmidas desde o nível do mar, até altitudes próximas de 4.000 m (del Hoyo, 1997). São considerados bioindicadores de qualidade de hábitats e sua ocorrência é cada vez mais rara, principalmente pela da caça predatória e o deflorestamento (Sick, 1997; Brooks & Strahl, 2006). Atualmente (del Hoyo et al., 1994; Grau et al., 2005), são reconhecidas dentro do gênero cinco espécies, sendo três delas com ocorrência no Brasil: Aburria cujubi (A. c. cujubi e A. c. nattereri), Aburria cumanensis (A. c. cumanensis e A. c. grayi) e Aburria jacutinga. A taxonomia alfa do complexo Aburria é contraditória desde a sua descrição, e pretende-se testar a validade dos táxons por meio de análises morfológicas, principalmente a coloração das partes nuas e da plumagem. Isto possibilitará a checagem das diagnoses apresentadas para cada uma das subespécies, uma vez que elas fundamentam-se exclusivamente em morfologia externa. As coordenadas geográficas dos espécimes coletados e tombados em coleções serão plotadas em mapa, buscando traçar um panorama o mais próximo possível da real distribuição das espécies. A partir dos padrões revelados por estes dados será possível direcionar e aperfeiçoar trabalhos de conservação.

Taxonomia do complexo Pyrrhura lepida (Aves, Psittacidae) - Marina Somenzari
Foto por Bret Whitney
A tiriba-pérola, Pyrrhura lepida, é um psitacídeo brasileiro, endêmico da região baixo amazônica cujo histórico taxonômico se relaciona a tiriba-de-barriga-vermelha, Pyrrhura perlata, com a qual já foi sinonimizada, e compõe um grupo monofilético. Considerando que atualmente são reconhecidas três subespécies dentro do complexo Pyrrhura lepida - Pyrrhura lepida lepida, Pyrrhura lepida coerulescens e Pyrrhura lepida anerythra – cuja diagnosticabilidade é questionável, o presente estudo visa analisar a validade dos táxons envolvidos e definir corretamente suas áreas de ocorrência.

Taxonomia de L. forbesi (Aves, Accipitridae) - Francisco Voeroes Denes
Foto por Sergio Seipke
O gavião-de-pescoço-branco Leptodon forbesi Swann, 1922, endêmico da Mata Atlântica do Centro Pernambuco, é uma espécie cujo status taxonômico ainda é controverso. Autores como Swann (1922 e 1945), Teixeira et al. (1987) e del Hoyo (1994) consideram a espécie como válida, enquanto que outros, como Grossman e Hamlet (1964), Brown e Amadon (1968), Blake (1977) e Sick (1994) optam por considerá-la como uma variante morfológica do gavião-de-cabeça-cinza L. cayanensis. As diagnoses tradicionais de L. forbesi são as coberteiras inferiores das asas, brancas ao invés de negro; píleo cinza; lados do pescoço brancos; ápice das escapulares, manto e rêmiges esbranquiçados; e a cauda com uma larga faixa branca (Swann 1945; Hellmayr e Conover 1949; Pinto 1964: 56). O presente trabalho teve como objetivos estudar e descrever a variação morfológica e morfométrica de L. cayanensis, e testar a validade dos táxons componentes deste complexo, com especial atenção para o táxon L. forbesi e sua distribuição geográfica. Foram analisados 108 espécimes do gênero Leptodon, provenientes do México até o estado do Rio Grande do Sul, Brasil. Dados morfométricos foram obtidos e analisados para se avaliar diferenças entre os sexos, o polimorfismo de coloração nas plumagens dos juvenis, e as subespécies propostas por Swann (1922) para L. cayanensis. Além disso, caracteres de plumagem também foram analisados para se testar a validade de L. forbesi.

Revisão taxonômica do complexo Picumnus exilis (Aves, Picidae) - Marco Antonio Rego
Estuda variações morfológicas e morfométricas das aves pertencentes ao complexo Picumnus exilis (Aves, Picidae), que ocorrem desde o extremo leste da Colômbia até a faixa litorânea do Brasil, passando pela Venezuela e Guianas. Atualmente, este complexo é composto por seis subespécies agrupadas em função da plumagem esverdeada do dorso, ventre amarelo com barras ou máculas negras, uma distinta estria pós-orbital de coloração branca e a região dorsal marcada ou não com pintas negras. A espécie Picumnus nigropunctatus, com distribuição restrita ao baixo rio Orinoco na Venezuela, apresenta um histórico taxonômico intimamente relacionado à P. exilis sendo, outrora, considerado como subespécie desta.

Taxonomia do complexo Myrmeciza ruficauda (Aves: Thamnophilidae) - Thyago de Souza Santos
Atualmente são conhecidas duas subespécies do complexo: Myrmeciza r. ruficauda, e M. r. soror. Porém, por existerem algumas diferenças significativas entre esses dois táxons, por não possuirem uma distribuição conjunta e levando-se em consideração a mudança gradativa do amplamente aceito conceito biológico de espécie para o conceito filogenético de espécie, o projeto visa reavaliar o status desses 2 táxons.

Taxonomia do complexo Forpus xanthopterygius ( Aves: Psittacidae) baseado em caracteres morfológicos - Fernanda Bocalini
O gênero Forpus pertence à família Psittacidae (Ordem Psittaciformes),  este gênero Forpus abriga espécies muito pequenas, com caudas também pequenas,em formato de cunha e presença de dimorfismo sexual. Atualmente, seis subespécies são reconhecidas dentro complexo Forpus xanthopterygius: F. x. xanthopterygius, F. x. crassirostris, F. x. olallae, F. x. spengeli, F. x. flavissimus, F. x. flavescens,a subespécie olallae é dificilmente diferenciada da subespécie crassirostris, portanto, é proposto que ela seja inclusa dentro de F. x. crassirostris. Em compilaçãoes de listas de aves distintas notam-se diversas controvérsias quanto à separação das subespécies desse complexo evidenciando a necessidade de se revisar taxonomicamente esses táxons. O objetivo deste projeto é determinar, por meio da análise de caracteres morfológicos externos, a validade dos táxons que compõem o complexo Forpus xanthopterygius. Serão analisados 223 espécimes de Forpus xanthopterygius quanto a dados morfométricos e de padrões de coloração de plumagem.

Variação morfológica de penugem em C. campestris (Aves: Piciformes) - Léo Signorini Novaes

Colaptes campestris, da família Picidae (pica-paus), apresenta uma distribuição ampla dentro do Brasil, por toda a extensão de campos abertos, e um comportamento e habitat distintos da maioria dos outros pica-paus por ser uma das únicas espécies quase que totalmente terrícolas. Sua classificação e posicionamento taxonômico nunca foram muito problemáticos, além da ocasional mudança ou junção de gêneros e renomeações. O que apresenta uma certa indecisão é a situação das duas (possivelmente três) subespécies, que já foram considerada desde espécies distintas quanto subespécies de duas espécies distintas até o mais recente arranjo de duas subespécies da mesma espécie. Os critérios para os agrupamentos se baseiam principalmente na cor da garganta dos indivíduos (preto em C. c. campestris ao Norte da distribuição e branco em C. c. campestroides ao Sul) e, em uma das subespécies propostas, o tom de amarelo do ventre dos indivíduos, uma característica subjetiva e de medição complicada principalmente em animais terrícolas que deixam peles geralmente sujas pelos seus hábitos de vida. O objetivo deste trabalho é introduzir novos caracteres na analise de organização taxonômica da espécie para melhor compreender a variação intra-específica na sua distribuição.


Revisão Taxonômica do Complexo Piculus chrysochloros (Aves: Piciformes: Picidae) - Gláucia del Rio

Piculus chrysochloros é uma espécie politípica de pica-pau que se alimenta de invertebrados. Seu bico ligeiramente achatado, sua cauda de rectrizes rígidas e ligeiramente curvada em direção ao ventre, e a coloração oliva de seu dorso são exemplos de adaptações ao seu hábito arborícola. Estes pica-paus podem ser encontrados desde o Panamá até a Argentina, ocupando diversos ambientes, desde florestas até a Caatinga. Seu histórico de classificação é repleto de divergências, causadas principalmente pelas dificuldades de determinação do status taxonômico dos grupos delineados e da enorme variação individual. O complexo, outrora classificado como sendo composto por seis subespécies distintas, atualmente compreende nove: P. c. chrysochloros, P. c. polyzonus, P. c. laemostictus, P. c. hypochryseus, P. c. capistratus, P. c. guianensis, P. c. paraensis, P. c. aurosus e P. c. xanthochlorus. Essa grande quantidade de subespécies de difícil distinção pode refletir problemas de classificação ligados à banalização da categoria subespecífica e à ausência de estudos mais detalhados sobre a sua variação individual. O objetivo deste trabalho é determinar a validade dos agrupamentos taxonômicos atualmente propostos para as nove subespécies do complexo Piculus chrysochloros por meio da análise morfométrica e morfológica de peles depositadas em museus brasileiros e do exterior, incluindo os espécimes-tipo. A delimitação das unidades evolutivas dentro de um grupo com populações habitando ambientes tão distintos como a Caatinga e a Mata Atlântica pode ser importante para futuros estudos filogenéticos e biogeográficos.


Revisão Taxonômica do Complexo Caryothraustes canadensis (Passeriformes: Cardinalidae) - Vinicius Rodrigues Tonetti
Caryothraustes canadensis

Caryothraustes canadensis é um representante muito característico da família Cardinalidae, conhecido popularmente como Furriel ou Canário-do-mato. Sua distribuição é disjunta, sendo encontrado em algumas regiões da Mata Atlântica, incluindo o “Centro Pernambuco” de endemismo, e na Amazônia. Atualmente, o complexo Caryothraustes canadensis possui três subespécies e reconhece-se a necessidade de estudos taxonômicos visando testar a validade dos táxons que o compõem. A própria família Cardinalidae possui um histórico taxonômico confuso, sendo tratada como subfamília dentro de Emberizidae e Fringillidae, assim como outras espécies que já fizeram parte do gênero Caryothraustes. Desta forma, esse trabalho tem como objetivo estudar e documentar a variação morfológica, morfométrica e vocal do complexo Caryothraustes canadensis, revisando sua taxonomia uma vez que há necessidade de serem conduzidos estudos que testem a validade dos táxons deste complexo, além de se conhecer melhor a sua distribuição geográfica. Este projeto enquadra-se dentro do projeto “Aves do centro de endemismo Pernambuco: taxonomia e conservação”, desenvolvido pelo orientador do proponente.