CAUSAS DAS DISTRIBUIÇÕES GEOGRÁFICAS

 

 

    Uma explicação possível da distribuição de um táxon é a de que o grupo deve sua presença na área atual a uma dispersão a partir da região na qual a linhagem evoluiu originalmente. Esta não é uma interpretação controvertida quando os membros de um táxon distribuem-se por ampla área contígua. Por exemplo, os Formicariidae ocorrem através da América do Sul e Central e não encontraríamos oposição se argumentássemos que o primeiro Formicariidae evoluiu em alguma parte restrita da América do Sul e que, desde então, tenha havido, na região neotrópica, expansão da área e especiação. Contudo, quando um grupo ocorre de cada lado de uma barreira ou distribui-se de maneira disjunta, duas explicações são possíveis. Por exemplo, as aves ratitas do hemisfério sul poderiam ter se dispersado a cada um dos continentes a partir de um centro de origem (a África, por exemplo), ou a distribuição existente pode ter surgido de uma distribuição inicialmente contínua que se fragmentou devido a algum fator externo. Esta é a hipótese da “vicariância”. A vicariância pode ser causada pela extinção de populações intermediárias ou pela divisão de um bloco de terra ou de um corpo d’água em dois, de sorte que os membros de uma biota de distribuição contínua tornaram-se separados e passam a evoluir independentemente. Sabe-se que tanto à dispersão quanto a vicariância têm ocorrido.

 

Biogeografia Vicariante

            Vicariância é o nome para um processo que ocorre quando uma população contínua é dividida por uma barreira. As populações resultantes isoladas sofrem os processos evolucionários de divergência (especiação), resultando no aumento do número de taxas. Biogeografia Vicariante trata-se de um estudo histórico que assume que as distribuições geográficas dos organismos são resultadas (pelo menos em parte), de uma inter-relação entre evolução biológica dos taxa e evolução física da superfície da Terra. Ela assume que, se a história da vida é paralela à história da Terra, modelos congruentes de relações biológicas e geológicas podem ser obtidos.

            O método de Biogeografia Vicariante consiste em procurar modelos gerais de relações de área baseados em: a) relações de táxons endêmicos e b) geologia histórica. Desta forma, um estudo de biogeografia vicariante precisa conter os seguintes passos: 1) Coletar dados primários a respeito das relações dentro de um determinado táxon; 2) Interpretar as relações biológicas do grupo em um modelo de relações de área; 3) Buscar uma repetição de modelos de relações de área, e 4) Comparar com um evento não-biológico (ex. geológico), que ofereça os mesmos modelos de relações de área, e uma possível explicação causal para a repetição do modelo biológico. Dentro deste contexto, os fósseis providenciam dados adicionais que podem aumentar a distribuição biogeográfica de um táxon no espaço ou no tempo. Biogeógrafos vicariantes geralmente utilizam táxons recentes como dados, ou uma combinação de táxons recentes e fósseis.

 

Biogeografia Dispersionista

A Biogeografia Dispersionista, até a década de 60 do século XX, representava uma herança do pensamento de Darwin e Wallace. Naquela época, o conhecimento científico nesta área estava impregnado pela idéia de centro de origem e das rotas de dispersão dos organismos através de uma geologia estável como uma teoria explicativa para a distribuição. O Centro de origem para algumas espécies, é uma área limitada na qual poucos ancestrais podem ter se originado e da qual as espécies tenham se dispersado, atingindo as distribuições atuais. Para um grupo de espécies, é uma área limitada na qual sua espécie ancestral pode ter presumivelmente se originado. A principal crítica afirma que a biogeografia de grupos individuais não oferece informações para o estabelecimento de padrões mais gerais, sendo necessário para a análise biogeográfica o estabelecimento de congruência de vários grupos. Para o entendimento da biogeografia histórica de grupos particulares, faz-se necessário a identificação de sua área ancestral. Além do mais, se existe razão para assumirmos que qualquer grupo tenha ocupado uma área mais restrita do que ocupa hoje, é necessário formular métodos objetivos para estimar essa área.

Mas como podemos determinar um centro de origem? Para explicar a distribuição de táxons em âmbito mundial, a escola dispersionista coloca mais ênfase na dispersão do que na movimentação dos continentes. Nesse raciocínio, a deriva continental, foi há tanto tempo que não afetou os padrões atuais de distribuição, principalmente dos vertebrados. Os centros de origem não são facilmente identificados e foram propostos vários critérios para encontrá-los.

Wallace (1876) acreditava que, através da seleção natural, as espécies dominantes surgiram em pequenos centros de origem, de onde se dispersam e diversificam sobre a Terra. Outros autores propuseram critérios objetivos, como:

- área em que os organismos mostram maior diversidade ou número de espécies;

- área onde a forma "mais primitiva" ocorre;

- área ocupada pela forma mais derivada filogeneticamente;

- área onde ocorre o mais antigo fóssil.

 

 

BIOGEOGRAFIA HISTÓRICA E ECOLÓGICA

 

GLOSSÁRIO