LATITUDE

 

Em geral, a biodiversidade diminui em direção as maiores latitudes, portanto, a maior diversidade de espécies para a maioria dos grupos de organismos ocorre nos trópicos. A relação entre o aumento na riqueza de espécies com a diminuição na latitude é bem conhecida, porém pouco entendida (Stevens, 1989).

 

Há duas linhas de explicações para esse padrão de diversidade ao longo do gradiente latitudinal (Stiling, 2002):

 

         Históricas – explicam a diferença de diversidade entre as zonas tropicais e temperadas segundo eventos históricos, tais como a glaciação, que destruiu parte da biota temperada, e a instabilidade climática das zonas temperadas, que reduz ou interrompe os processos evolutivos de algumas espécies;

 

         Teoria estrutural da biodiversidade - explica a diferença de diversidade entre as zonas tropicais e temperadas baseando-se na diferença da estrutura das comunidades. Em outras palavras:

 

a)   A produtividade primária é maior nos trópicos.

 

A maior incidência luminosa (energia) nos trópicos, permite uma maior produtividade primária quando comparada às regiões de latitudes maiores, favorecendo uma maior riqueza nas comunidades tropicais, ou seja, uma grande produtividade primária permite a existência de mais espécies na pirâmide de energia.

Existem muitos estudos que demonstram a existência de uma relação entre energia contida no ecossistema e riqueza de espécies. Contudo essa hipótese não é valida para todos os ecossistemas, por exemplo, há mares tropicais que apresentam baixa produtividade e grande riqueza de espécies; outro exemplo são os lagos eutrofizados ou com altas concentrações de fertilizantes, que apresentam alta produtividade, mas baixa riqueza.

 

b)   Há maior heterogeneidade espacial e, portanto, mais nichos nos trópicos.

 

A complexidade da estrutura horizontal e vertical dos habitas nos trópicos, determinada principalmente pela diversidade de plantas associada à maior produtividade primária, criam uma grande variedade de fontes de recursos, sítios de reprodução e proteção e conseqüentemente, gera uma grande diversidade de nichos, para um grande espectro de invertebrados, anfíbios, répteis, aves e mamíferos.

 

c) Há áreas mais extensas nos trópicos.

 

As áreas maiores apresentam maior biodiversidade, provavelmente por suportarem maiores populações e mais espécies do que áreas menores. As populações maiores minimizam as causas da extinção, apresentando pouca ocorrência de eliminação de espécies. Deste modo, as grandes áreas de clima similar terão maior riqueza de espécies. Esta seria uma das explicações do porque a região tropical é mais rica em espécies.  Se observarmos o mapa-mundi, notaremos que a região tropical dos dois hemisférios são adjacentes, criando uma grande área sob o mesmo clima.

A teoria da área, contudo não consegue explicar a menor riqueza relativa de espécies nas extensas áreas na Ásia, tal como a tundra, ou dos sistemas marinhos.

 

d)      Nos trópicos, há maior competição, levando a nichos mais estreitos.

 

Nas florestas tropicais, as condições físicas menos inóspitas favorecem a existência de espécies K estrategistas. A maior competição entre elas faz com que a amplitude dos nichos seja mais estreita, permitindo a existência de mais espécies na região, e conseqüentemente aumentando a biodiversidade.

No caso das regiões localizadas nas altas altitudes, onde os ambientes são mais inóspitos (por exemplo, baixas temperaturas), a composição de espécies é mais fortemente determinada pelas diferenças nas tolerâncias dos organismos aos fatores físicos e químicos. A seleção natural atua no sentido de favorecer mais as espécies r estrategistas, os quais são oportunistas e ocupam nichos mais amplos.

Entretanto, deve-se ressaltar que essa teoria não tem sido rigorosamente avaliada. A competição não tem sido medida para uma grande variedade de grupos de espécies, suficientemente para determinar se é de fato um dos fatores que origina a diversidade.

 

e)   Nos trópicos há mais predadores, o que leva a redução da competição e a uma maior diversidade entre as presas.

 

O que se postula aqui é que a maior ocorrência de predação e parasitismo reduziria a população de presas, causando a redução da competição nestes grupos, devido ao aumento na disponibilidade de recursos e, portanto mais espécies poderiam coexistir. Por sua vez, mais espécies de predadores poderiam coexistir. Note que esta hipótese é oposta a da teoria da competição.

Deve-se salientar que para essa teoria ser definitivamente comprovada, ela deveria ser analisada para a maioria das espécies em todos os níveis tróficos, contudo ainda não existem dados disponíveis para testar tais idéias. Além do mais, ela não explicar a maior existência de predadores e parasitas inicial. A teoria se mostra tautológica.