Doutores Formados

Programa de Pos-Graduação em Ecologia, Depto de Ecologia, I.B.U.S.P.

 



1998   Dra MARISA DOMINGOS
1999   Dr FÁBIO MARQUES APRILE
2000   Dra REGINA MARIA DE MORAES
2001   Dra MÁRCIA INÊS MARTIN SILVEIRA LOPES
2002   Dr. PAULO ERNANE NOGUEIRA DA SILVA

 

RESUMO DAS TESES

Marisa Domingos

Biomonitoramento da Fitotoxicidade da Poluição aérea e da Contaminação do Solo na Região do Complexo industrial de Cubatão, São Paulo, utilizando Tibouchina pulchra Cong. Como espécie indicadora

Os poluentes aéreos emitidos pelas indústrias instaladas na região de Cubatão, no Estado de São Paulo, tem afetado, desde a década de 50, grandes porções da Floresta Atlântica que recobre as encostas da Serra do Mar, desde a Baixada Santista até a borda do planalto, em altitude superior a 800m. A complexidade de poluentes lançados, a topografia acidentada, os movimentos de massa de ar, as condições ambientais peculiares, entre os fatores, intensificam os efeitos da poluição sobre aquele ecossistema, causando uma rápida diminuição da qualidade do ar e provocando alterações profundas na vegetação e solo nas encostas mais expostas.
Impactos ambientais, como os observados na região de Cubatão, podem ser avaliados através de estudos de Biomonitoramento, que utilizam reações de certos organismos vivos, denominados bioindicadores, para identificar e/ou caracterizar mudanças induzidas antropogenicamente nas condições ambientais. Várias espécies vegetais têm sido utilizadas como bioindicadoras, cujos indivíduos já podem estar presentes no ambiente, sendo chamados de passivos, ou serem introduzidos no mesmo de forma padronizada, sendo denominados ativos.
Estudos de Biomonitoramento foram realizados com bastante sucesso por pesquisadores do Instituto de Botânica e das Universidades alemãs de Essen e de kassel , na região de Cubatão, sendo avaliadas as reações à poluição aérea de várias espécies bioindicadoras tradicionalmente utilizadas na Europa e de espécies de origem tropical, incluindo algumas nativas de Florestas Atlântica.
No presente trabalho, como parte desses estudos, foram avaliados as reações apresentadas por indivíduos adultos de Tibouchina pulchra Cong., espécie arbórea de ocorrência comum na floresta que recobre as encostas da Serra do Mar, preexistente na região (biomonitoramento passivo), e por indivíduos jovens da espécie introduzidos de forma padronizada nos locais de estudo (biomonitoramento ativo), porém utilizando, cimo substrato solos contaminados e não contaminados dos próprios locais.
O biomonitoramento passivo foi feito em dois períodos, coincidentes com a época de inverno e verão (junho/91 e março/92) e o ativo, ao longo de um ano, através da realização de três experimentos consecutivos com duração de 16 semanas cada (24/08/94 a 07/08/95).
Ambos os tipos de biomonitoramento foram conduzidos em um local da Serra do Mar não atingido por poluentes emitidos pelo complexo industrial e em outros dois locais fortemente atingidos, escolhidos em função da natureza da atividades industriais realizadas localmente e consequentemente dos tipos e cargas de poluentes emitidos na atmosfera. São eles:
- vale do rio Pilões(RP): área de referência – recebe pouca influência dos poluentes atmosféricos de Cubatão;
- Caminho do Mar (CM): antiga estrada que liga o planalto à Baixada Santista – área afetada por altas concentrações de poluentes orgânicos, poluentes secundários e por compostos de enxofre e nitrogênio, em função da presença de indústrias petroquímicas nas proximidades;
- Vale do rio Mogi (VM): área altamente poluída por materiais particulados, fluoretos e compostos de enxofre e nitrogênio, devido à presença de grande número de indústrias de fertilizantes, cimento e siderúrgicas, entre outras, no local.
Paranapiacaba (PP), situada no alto da Serra do Mar, em frente ao vale do rio Mogi, foi escolhida como um ponto adicional de amostragem para realização do biomonitoramento passivo. Na atualidade, esse local tem sido atingido principalmente por poluentes secundários.
Nos estudos de biomonitoramento passivo, foram selecionados seis indivíduos adultos de T. pulchram em cada local, dos quais retiraram-se amostras de folhas nos dois períodos mencionados.
Essas amostras, após tratamento apropriado, foram submetidas a análise das concentrações de N, P, K, Ca, Mg, S, Fe, Mn, Zn, Cu, Al e F e das alterações em alguns indicadores bioquímicos de estresse, especialmente aquelas induzidas pelo estresse oxidativo e pela acidificação de fluídos celulares (atividades da peroxidase não específica, conteúdo de ácido ascórbico, acidez do suco celular e capacidade de tamponamento desse acidez).Foram calculadas, ainda, as razões entre concentrações de macronutrientes .
Cada experimento do biomonitoramento ativo consistiu na exposição de plantas jovens envasadas ao ar ambiente do local de referência (RP1) e dos locais poluídos (CM1 e VM1). No RP1, foram expostas 18 plantas, sendo seis cultivadas em solo do próprio local (RP), seis em solo do CM e seis em solo do VM. Nos outros dois locais, foram colocadas seis plantas cultivadas no solo local e seis cultivadas no solo da área de referência. Após cada experimento, as plantas foram analisadas quanto: ao conteúdo foliar dos mesmos elementos químicos, exceto Al; à atividade da peroxidase não específica; ao conteúdo de ácido ascórbico e a diversos parâmetro de crescimento. Os resultados obtidos foram apresentados em três grupos diferentes, aqui denominados sistemas de exposição vale do rio Pilões/Caminho do Mar (matriz 1); sistema de exposição vale do rio Pilões/vale do rio Mogi (matriz 2) e sistema de exposição às condições de ar e solo do vale do Pilões, caminho do Mar e vale do Mogi (matriz 3).
Os resultados obtidos no biomonitoramento passivo podem ser assim sintetizados:
1. Enquanto as concentrações foliares de N foram significativamente maiores nas amostras retiradas do VM, os teores de K foram menores em folhas provenientes do VM e PP, em relação aos valores observados nas plantas do RP, diferenças observadas apenas em março/92, para N e em junho/92, para K. Os valores das concentrações foliares de Ca e Mg, foram semelhantes nos quatro locais de estudos, em ambos os períodos. Independente da época de amostragem, os teores de P, Fe, e F foram significativamente maiores nas amostras de folhas coletadas no VM do que naquelas provinientes do RP e do CM. Em Paranapiacaba, também foram obtidos valores mais elevados de Fe e F. Acúmulo significativo de S foi observado apenas em março/92, nas amostras do CM. Nas folhas provenientes do CM em ambos os períodos de amostragem, as concentrações de Mn foram superiores do que as obtidas nos demais locais. No VM, os teores desse elemento foram também maiores em relação ao RP.
2. Foram evidenciadas alterações significativas no balanço de nutrientes, aqui representado pelas razões entre concentrações foliares de macronutrientes. As plantas que vivem no CM foram as que mostraram mais desarmonia nutricionais estatisticamente comprovadas, entre as estações mais e menos chuvosas. Para as amostras provenientes do VM, coletadas em junho/91, foram estimados os mais altos valores médios de razões entre teores de alguns nutrientes, tais como, P/K, S/K, S/Ca, N/Ca, N/K e P/Ca, demonstrando haver acúmulo do elemento utilizado no numerador da razão e/ou a pobreza daquele utilizado no denominador.
3. Em junho/91, a atividade da peroxicidase não específica foi similar em todos os locais de estudo, embora possa ser observada uma tendência de maior atividade dessas enzimas nas amostras provenientes dos locais mais poluídos (CM e VM). O conteúdo de ácido ascórbico nas amostras coletadas no VM, em março/92, foi significativamente inferior ao observado nas amostras do CM. Em ambos os períodos de amostragem, a acidez celular das amostras coletadas no CM foi maior do que a determinada nas amostra do RP. O índice de capacidade de tamponamento dessa acidez (BCI), no entanto, foi semelhante em todos os locais de estudo.
Os resultados obtidos no biomonitoramento ativo não somente confirmaram os descritos acima como também tornaram mais evidentes as influências negativas dos níveis atuais da poluição aérea e do solo alterado ao longo do tempo pelos poluentes atmosférico nele incorporados.
No sistema de exposição vale do rio Pilões/caminho do Mar (matriz 1), observou-se que:
1. Em indivíduos jovens de T. pulchra plantados em solo do CM e expostos no ambiente do local de referência, foi observada tendência de aumento nos teores foliares de S e F nos três experimentos, demonstrado que o solo do CM foi contaminado com esses poluentes. As concentrações foliares dos demais elementos, assim como as proporções entre os teores de macronutrientes foram predominantemente semelhantes nas plantas crescidas noa solos do RP e CM e colocadas no ambiente do RP. Quando os indivíduos de T. pulchra plantados no solo do RP foram expostos no ambiente do caminho do Mar, as concentrações foliares de N,P,K,Mg,S,Fe e F aumentaram significativamente em pelo menos um dos experimentos, demonstrando a influência do ar contaminado local sobre os teores dos elementos citados. Nas plantas cultivadas no solo do CM e expostas nesse local também foram observados aumentos significativos similares nos níveis de Mg, S, Fe, Mn, e F, embora tenha sido possível individualizar os efeitos do solo e ar contaminados nessas variáveis. Apenas no terceiro experimento, foi verificado um aumento adicional significativo das concentrações foliares de N e Zn nas plantas cultivadas no solo contaminado do CM e expostas nesses próprio local. As desarmonias nutricionais foram mais evidentes no ambiente do CM do que nos experimentos conduzidos no local de controle.
2. A atividade da peroxidase não foi significativamente alterada pela influência do solo e/ou ar contaminados do caminho do Mar. Já o conteúdo de ácido ascórbico foi menor nas plantas em contato com solo e ar do caminho do Mar, porém em relação às plantas cultivadas em solo do CM e expostas no vale dos Pilões, revelando que quando associados, ambos os tipos de poluição podem proporcionar mudanças nos níveis de ácido ascórbico.
3. Plantas em contato apenas com solo do CM não apresentaram alterações nos parâmetros de crescimento avaliados. No ambiente do CM, tanto as mudas crescidas em solo do RP quanto em solo próprio local, mostraram redução em altura, biomassa e de caules+ramos, de raízes e total, apenas no terceiro experimento. Nesse experimento, a porcentagem de contribuição do peso de nutrientes para a biomassa de folhas em plantas cultivadas em solo do local controle e expostas no ambiente do CM foi superior à verificada em plantas expostas no vale do Pilões, significando que, no mesmo período, as plantas no local poluído produziram menor biomassa de folhas em relação à quantidade de nutrientes consumidos. Esse efeito foi intensificado quando as plantas foram expostas concomitantemente às condições de ar e solo do local.
No sistema de exposição vale do Pilões/vale do Mogi (matriz 2), verificou-se que:
1. As folhas das plantas colocadas no RP e plantadas no solo modificado do VM mostraram-se enriquecidas por P, Mn, e F e tenderam a apresentar-se empobrecidas em K e Ca. As diferenças nas concentrações foliares de P, K e Ca foram refletidas nas razões que envolveram tais nutrientes. No ambiente do vale do Mogi, folhas dos indivíduos jovens de T. pulchra , cultivados tanto em solo local como em solo retirado do RP, apresentaram-se mais concentradas em N, P, Mg, Fe, Zn, e Cu.
As concentrações foliares de S foram também numericamente superiores em relação à situação controle, embora tenham sido comprovadas apenas no terceiro experimento. Par K e Ca, efeitos sinergísticos da poluição aérea e contaminação do solo do vale do Mogi foram evidenciados.
Efeitos aditivos do ar e solo contaminados do vale do Mogi foram registrados em relação aos teores de Mn e F. As razões que envolveram as concentrações foliares de N, P, K, Ca e S, mostraram-se alteradas nas plantas introduzidas no vale do Mogi, quando são comparadas com as calculadas para as plantas RP/RP1.
2. Não foi detectada nenhuma alteração na atividade das peroxidases e no conteúdo de ácido ascórbico em folhas dos plantas cultivadas em solo do VM e introduzidas no ambiente do RP. Nos estudos conduzidos no VM, houve um aumento significativo da atividade das peroxidases nas folhas de indivíduos plantados no solo do local controle e um aumento ainda mais acentuado em plantas submetidas às condições de ar e solo do VM. O nível foliar de ácido ascórbico foi reduzido apenas quando os dois fatores de estresse foram associados.
3. No ambiente não poluído do vale do Pilões, as plantas em contato com o solo do VM apresentaram maiores valores de biomassa de folhas, caules e raízes, resultando em maior biomassa total, possivelmente causados pelo aumento da absorção de nutrientes do solo fertilizante por ação da poluição. Os experimentos conduzidos no VM revelaram que houve, em certos momentos, elevação da biomassa de caules e ramos nas plantas cultivadas no solo do local controle e no daquele local, resultando, também, em valor mais elevado da razão entre a biomassa de caules e biomassa total. Observou-se ainda redução da razão entre biomassa de raízes e biomassa da parte aérea. A razão entre a biomassa de raízes e a biomassa total da planta foi diminuída e o número total de folhas aumentando no tratamento em que ar e solo do VM foram associados, tornando aparente o sinergismo entre ambos os fatores de estresse. As biomassas foliar e radicular, aumentadas no ambiente não poluído, foram reduzidas em plantas em contato com ar e solo contaminados do VM. Nas plantas cultivadas no solo do RP e introduzidas no VM, verificou-se uma elevação significativa das quantidades absolutas de nutrientes em suas folhas. A porcentagem de contribuição dos nutrientes, em termos de peso, para a biomassa foliar também foi maior nas plantas mantidas no VM do que naquelas mantidas no RP, independente do tipo de solo utilizado como substrato, observando-se uma menor produção de biomassa foliarem relação à quantidade de nutrientes disponíveis.
A comparação dos resultados obtidos para plantas jovens submetidas às condições de ar e solo de cada local (matriz 3), simulando a situação observada em cada um, revelou que:
1. As concentrações foliares de N, P, Mg, S, Fe, Mn, Zn, Cu e F, em pelo menos um experimento, foram significativamente superiores e as de Ca inferiores nas plantas em contato com ar e solo do VM, quando confrontadas com as obtidas em plantas expostas às condições do local de referência.
Quando em contato com a situação de ar e solo do CM, em relação ao verificado no local controle, as folhas de T. pulchra apresentaram-se mais concentradas em N, P, Mg, Fe, Mn e Zn apenas no experimento 1 e em S nos experimentos 1 e 3. O enriquecimento foliar de certos nutrientes (N, S e P) e o empobrecimento de outros (Ca e K), em plantas sujeitas à situação de ar e solo do VM, geraram desarmonias nutricionais. Sob as condições de ar e solo do CM, os valores das razões que envolveram as concentrações foliares de N, K, Ca, e S foram modificadas.
2. A atividade das peroxidases apenas tendeu a ser superior nas folhas das plantas do tratamentos VM/VM1 e CM/CM1. O conteúdo foliar de ácido ascórbico, foi menor nas mudas da espécie em contato com ar e solo alterados do VM.
3. O incremento em altura e em número total de folhas, a proporção entre biomassa de caules e ramos/biomassa total, as quantidades foliares absolutas de nutrientes e a proporção entre tais quantidade e a biomassa foliar, em pelo menos dois dos experimentos, foram maiores e a razão entre raízes e parte aérea, em todos os experimentos, foi menor nas plantas em contato com ar e solo contaminados do VM. Plantas em contato com ar e solo do CM, em todos os períodos de estudo, houve uma significativa redução no incremento em altura, tanto em relação ao tratamento controle quanto à situação encontrada no vale do Mogi. No terceiro experimento, a biomassa de raízes foi menor e a porcentagem de contribuição dos nutrientes para a biomassa foliar total e a biomassa foliar foram maiores nessas plantas, em relação ao controle.
Os resultados obtidos demonstraram que T. pulchra, apesar de apresentar sérias alterações químicas, bioquímicas e de crescimento, consegue sobreviver às condições estressantes do caminho do Mar e do vale do rio Mogi, podendo ser considerada uma espécie relativamente tolerante à poluição ambiental e com características adequada para estudos de biomonitoramento.
A partir das mudanças detectadas em T. pulchra, pode-se supor que os trechos da floresta Atlântica situados na proximidades do caminho do Mar e no vale do Mogi ainda estão submetidas à situação de estresse causado pela poluição aérea. As alterações induzidas no solo pela poluição deverão continuar a causar efeitos residuais negativos sobre as plantas da florestas, especialmente no vale do Mogi, mesmo que a emissão de poluentes no ar venha a ser plenamente controlada.

Fábio Marques Aprile

Qualidade do Meio Ambiente e Medidas para Gerenciamento Ambiental do rio Tapacuará, Pernambuco, Brasil.

O Brasil, os problemas com abastecimento e qualidade da água, existem desde o século XVI. Em 1537, em Olinda, foi redigido o primeiro documento oficial referindo-se ao abastecimento de água. Este trabalho foi realizado na bacia hidrográfica do rio Tapacurá (PE), entre o período de julho/97 a dezembro/98. Os objetivos foram, avaliar a qualidade de água da Bacia, otimizar os recursos investidos no monitoramento, e apresentar uma proposta de gerenciamento para os rios de Pernambuco. O Tapacurá foi escolhido por abastecer a Região Metropolitana do Recife. Os resultados revelam um comprometimento da qualidade da água, devido a altos teores de coliformes fecais, principalmente, em trechos próximos a áreas urbanas. Uma avaliação dos últimos nove anos, revelou que os níveis de coliformes encontrado, nos pontos de amostragem, passaram de 25 para 67%. Este quadro de degradação é comum nas bacias do Estados, sendo mais agravante nos rios que atravessam grandes centros urbanos. Um estudo estatístico selecionou as variáveis mais significativas para otimização do trabalho. Foram sugeridas medidas que visem a recuperação e conservação do ecossistema, tratamento dos resíduos urbanos e industriais e a educação ambiental como base de instrução. As etapas de gerenciamento ambiental apresentadas podem contribuir na elaboração e condução de projetos da área de meio ambiente.

Regina Maria de Moraes

Fotossíntese líquida e respostas bioindicadoras da poluição aérea em indivíduos jovens de Tibouchina pulchra cogn. (Melastomataceae), em Cubatão, SP

A vegetação das proximidades do complexo industrial de Cubatão, em São Paulo, vem sofrendo o impacto da emissão de poluentes aéreos já há algumas décadas. Este estudo foi realizado para avaliar os efeito desse impacto na fotossíntese líquida e em autros parâmetros utilizados como respostas bioindicadoras do estresse causado pela poluição que tivessem relação com alterações nesse processo, em indivíduos jovens de Tibouchina pulchra cogn., espécie arbórea da família Melastomataceae com grande ocorrência em toda a área. Plantas envasadas, cultivadas em substrato padronizado, foram instalados em três regiões de Cubatão: vale do rio Pilões (RP), considerada como área de referência; caminho do Mar (CM), próxima a indústrias petroquímicas e vale do rio Mogi (V.M.), próxima a indústrias siderúrgicas, de fertilizantes e de cimento. Foram realizadas duas exposições de três meses, de a 01/07 e de 15/07 a 15/10/98, com seis plantas em cada área em cada exposição. Nas duas exposições, em comparação com as plantas mantidas na área de referência, a fotossíntese líquida (p< 0,05) nas plantas que foram mantidas no vale do rio Mogi e não foi alterada naquelas expostas no caminho do mar. Assim obteve-se na primeira exposição os seguintes valores de fotossíntese líquida: VM 7,4 umol.m -2 . S -1 , CM, 10,8 umol.m -2 . S -1 e RP 14,2 umol.m -2 . S -1 , e na Segunda exposição: VM 4,2 umol.m -2 . S -1 , CM 6,9 umol.m -2 . S -1 e RP 7,4 umol.m -2 . S -1 . Esta redução não pode ser explicada por alterações na condutância estomática, pois esta não apresentou diferentes entre áreas ao longo de todo o experimento. O conteúdo de clorofila não apresentou correlação com a fotossíntese e, portanto, também não explica a redução desta. Assim, sugere-se um possível efeito negativo sobre a fixação do carbono atingido a ribulose bifofato carboxilase oxigenase. As plantas expostas na áreas poluídas apresentaram grande incidência de donos, redução do números de folhas de ramos da área foliar, do crescimento em altura e diâmetro, e da biomassa de folhas, caules e raízes, quando comparadas com o controle (p< 0,05). O conteúdo de ácido ascórbico também foi reduzido nas plantas que permaneceram nestas áreas (p< 0,05), indicando a ocorrência de estresse oxidativo. Houve um grande acúmulo de flúor nas folhas das plantas mantidas em VM. Em comparação com as plantas que permaneceram na área de referência, as plantas expostas em VM apresentaram as apresentaram as concentrações mais altas de N, P, K, e S, as mais baixas de Ca, enquanto que as de Mg foram semelhantes em todas as plantas. Assim, os indivíduos de T. pulchra que permaneceram em VM possuíram a maior contribuição percentual de nutrientes à biomassa foliar, mas a menor biomassa, indicando que essas plantas utilizaram seus nutrientes de modo ineficiente. As concentrações foliares de F e de N apresentaram correlações negativas com a fotossíntese líquida nos dois períodos de exposição, e a de S, no segundo. O aumento das concentrações foliares desses elementos pode explicar a redução da fotossíntese líquida, pois os coeficiente de determinação obtidos na análise de regressão são altos e significativos. Os resultados obtidos, principalmente aqueles relativos à redução de biomassa nas plantas expostas em VM, indicam que no período compreendido entre abril e outubro de 1998, a poluição aérea atingiu níveis tão elevados no vale do rio Mogi que foi capaz de afetar intensamente indivíduos de Tibouchina pulchra , espécie considerada tolerante à poluição.

Márcia Inês Martin Silveira Lopes

Fluxos de água, balanço químicos e alterações no solo da floresta atlântica atingida pela poluição aérea de Cubatão, SP, Brasil

Estudaram-se neste trabalho os efeitos da deposição atmosférica sobre o balanço de elementos químicos, analisando-se as entradas e saídas dos elementos através do ciclo hidrológico durante quatro anos (setembro de 1991 a agosto de 1995) na Floresta Atlântica, situada nas vizinhanças do pólo industrial de Cubatão, São Paulo. Por meio de amostragens quinzenais e de determinação da concentração iônica, avaliaram-se em três florestas diferentemente atingidas pela impacto da poluição aérea – Pilões-menos poluída área de referência; Moji-fortemente poluída e Paranapiacaba-moderadamente poluída – os seguintes aspectos; entrada de elementos pela água de chuva; transferência pela água que atravessa a cobertura vegetal e pela solução do solo a 10cm, 60cm, e 100cm de profundidade; saída e neutralização pela água de nascentes e de pequenos córregos, bem como as alterações químicas no solo induzidas pela deposição atmosférica. Na área mais poluída (Moji), as concentrações iônicas médias encontradas na precipitação que atinge a floresta e na precipitação que atinge o solo foram, respectivamente: 5 e 10 mg.L -1 para o sulfato- s 0,5 e 0,7 mg L -1 para o nitrato, 0,63 e 1,14 mg.L -1 para fluoreto, 2,2 e 2,8 mg.L -1 para o amônio-N, 3,1 e 7,7 mg.L -1 para o cálcio, 0,69 e 2,15 mg.L -1 para o magnésio. Na floresta de referência, menos poluída (Pilões), as concentrações iônicas foram em média, 1/3 a 1/9 inferior a esses valores, refletindo claramente as diferenças ma cargas poluidoras que atingem cada floresta. Verificou-se que a composição química da solução do solo muda completamente com a infiltração da água. As concentrações de nitrato aumentaram de 3 a 22 vezes com a infiltração da água nos primeiros 10cm de solo do Pilões e Moji, respectivamente, valores estes bastante expressivos. Em menor proporção, isso também foi observado para o sulfato e cloreto. As mudanças nas concentrações dos elementos durante a passagem da água pelo ecossistema são explicadas pelas reações químicas que ocorrem nos diferentes compartimentos. Assim, nas florestas mais poluídas (Moji e Paranapiacaba) elas são caracterizadas pela retenção praticamente total do amônio, e parcial do sulfato, nas camadas superficiais do solo, pela liberação do alumínio dos minerais do solo e pela lixiviação extremamente alta de nitrato em conseqüência do processo de nitrificação da matéria orgânica. A deposição atmosférica nas florestas investigadas é bastante elevada e variável. Entraram anualmente no solo, pela precipitação: de 122 a 255 kg.há -1 de enxofre na forma de sulfato; de 7 a 70 kg.há -1 de nitrogênio, principalmente na forma de amônio; é de 4 a 28 kg.há -1 de fluoreto.

Paulo Ernane Nogueira da Silva

Florística, Fitossociologia e Nutrição Mineral do Cerrado Sendido Restrito no Complexo Xavantina - MT

O objetivo do presente trabalho foi estudar a composição florística, a fitossociologia e a nutrição mineral do componente arbóreo do cerrado em três sistemas de terra no Complexo Xavantina, estado de Mato Grosso.
Os sistemas estudados foram os 28, onde está localizado o município de Canarana; 31, no município de Água Boa e os 33, onde se situa o município de Nova Xavantina. Em cada sistema de terra foram amostradas 10 parcelas de 20m x 50m, onde todos os indivíduos com diâmetro ao nível do solo igual ou superior a 5cm foram amostrados. Em cada parcela foram coletadas amostras compostas de solo para análises químicas. Com base no levantamento fitossociológico, foram selecionadas 14 espécies para estudo de nutrição mineral.
No levantamento florístico foram encontradas 45 famílias botânicas, 81 gêneros e 122 espécies. O número de espécies variou de 80, no sistema31, a 94, no sistema 33. As espécies com maior índice de valor de importância foram: Qualea parviflora, Davilla elliptica e Myrcia canescens, no sistema 28; Curatella americana, Qualea parviflora e Callisthene fasciculata, no sistema 31 e Curatella americana, Qualea parviflora e Davilla elliptica, no sistema 33.
Os solos das parcelas nos três sistemas de terra foram ácidos, com elevados teores de alumínio (1,0 a 1,5 meq/100g) e baixa concentração de cálcio e magnésio, porém com elevados teores de potássio.
Pela Análise de Correspondência Canônica por Segmentos, verificou-se que a heterogeneidade florística acompanhou as variações do ambiente físico, pricinpalmente no que se refere às propriedades químicas do solo.
Ao compararem-se os teores de nutrientes foliares de todas as plantas estudadas, levando-se em conta apenas o sistema de terra, verificou-se que houve diferença significativa apenas para os teores foliares de potássio e de fósforo. O sistema de terra 28, que aprensentou as menores concentrações nos tecidos foliares das plantas.
As espécies estudadas apresentaram um mesmo padrão nutricional, independentemente do sitema de terra, indicando que elas possuem um status nutricional intrínseco. Quando as espécies foram comparadas entre si, foram encontradas diferenças significativas nos teores foliares para todos os macronutrientes. As espécies indicadoras de solos mesotróficos se mostraram mais eficientes na absorção de nutrientes. As espécies acumuladoras de alumínio foram tão eficientes quanto as não-acumuladoras na absorção de macronutrientes.