Avaliação Histórica da Disciplina

A disciplina PTEE tem uma proposta significativamente distinta das disciplinas tradicionais.  Principalmente, proponho que os estudantes dominem o conteúdo sobre evolução em eucariontes através do desenvolvimento de uma habilidade prática, a escrita.  Adicionalmente, o sistema de avaliação é contínuo.  Meu intuito é de tentar combater a visão prevalente onde se usa a nota como moeda de troca: o docente "paga" utilizando a moeda das notas para que o estudante realize o serviço de "aprender".  Desta maneira, procuro recompensar o empenho do estudante em praticar a atividade da escrita através de atribuições diluídas das notas.  Desta maneira, espero que os estudantes possam ter ampla oportunidade de serem avaliados. 

A avaliação dos estudantes é então feita ao longo das 15 aulas.  Em toda aula, o estudante deve produzir um curto ensaio sobre tema de sua escolha.  Estes totalizam 13, e a realização de cada ensaio vale 0.2 pontos.  Estes pontos são atribuídos simplesmente pela realização da atividade.  Os ensaios são corrigidos e discutidos pelos próprios alunos na aula seguinte, antes de realizar o próximo ensaio.  Eu supervisiono estas discussões e leio uma amostra dos ensaios para apontar problemas gerais.  Existem duas avaliações que consistem de ensaios maiores, valendo 3 pontos cada.  Adicionalmente, os estudantes apresentam um seminário que vale 1.4.

No ano de 2016 ministrei pela segunda vez a disciplina.  Desta maneira, já é possível fazer uma breve avaliação histórica da efetividade desta proposta (ok, com N=2, mas vamos lá).

 

 

O gráfico mostra as médias de notas de ensaios para os treze dias que envolvem a preparação de ensaios.  É importante notar que em 2016 ouve greve estudantil durante o período dos ensaios 9 ao 13.  Porém, os ensaios são realizados online e os estudantes estavam cientes que deveriam continuar fazendo upload dos ensaios. Como a nota atribuída é de 0.2 por ensaio realizado, entendo este indicador serve mais como uma medida de assiduidade e/ou empenho em praticar a escrita.  Nas duas turmas, ocorre uma queda ao final do curso, concomitante com um aumento no desvio padrão.  O aumento no desvio padrão geralmente é entendido com uma questão de amostragem insuficiente, porém, neste caso a amostra é toda a população.  Portanto, eu interpreto que existe uma divisão entre os estudantes: uma parte dos estudantes continua utilizando os ensaios como oportunidade para praticar a escrita; enquanto outra parte dos estudantes considera que já atingiu pontos suficientes a partir de um certo momento, e desiste de realizar esta atividade.

 

 

O gráfico mostra as médias nas duas avaliações.  A primeira é realizada após os primeiros 4 ensaios, e a segunda após 13 ensaios, ao final da disciplina.  Entendo que existe melhora da performance (lembrete: cada prova vale 3 pontos), e este aumento é significativo no segundo ano em que a disciplina foi ministrada.  No ano de 2014, existe uma tendência de aumento, porém o desvio padrão aumenta também o que indica que muitos estudantes tiveram performance pior na segunda avaliação do que na primeira.  No ano de 2016, ocorre melhora expressiva na performance, e também diminuição do desvio padrão indicando que os estudantes aprenderam de forma mais consistente.  Acho bastante difícil interpretar o que exatamente ocorreu que causou esta performance sensivelmente mais desejável do ano de 2016.  Diversos fatores mudaram entre os dois anos em que a disciplina foi ministrada, e imagino que a combinação dos seguintes fatores contribuiu para esta melhora:

1. Em 2016, o sistema de ensaios foi feito online em plataforma wiki (veja aqui), enquanto em 2014 os ensaios eram feitos em papel.  Desta maneira, os estudantes tinham acesso imediato aos próprios ensaios prévios, as correções sugeridas por colegas e também podiam visualizar ensaios de outros colegas.  Entendo que este foi um grande ganho didático, porém depende de dispnibilidade da sala multimídia (em 2014 o sistema deveria ter sido assim também, porém não havia disponibilidade de sala multimídia).

2. Em 2016, fiz uma discussão individualizada com cada estudante em relação ao resultado da primeira avaliação, onde foram apontados os principais pontos que deveriam ser trabalhados pelo resto do curso.

3. Em 2016, os últimos cinco ensaios foram dedicados a construir o último ensaio aos poucos: escolha e justificativa de tema, estrutura de parágrafos, estrutura de frases.

4. O grupo era maior em 2016. Talvez exista um efeito de discussões mais ricas com um grupo maior, o que inicialmente me parecia contra-intuitivo.

 

 

As médias finais refletem principalmente o fato de que 2016 teve melhor performance na segunda avaliação.  A média final é levemente maior, e o desvio padrão bem mais conciso.  Este é um resultado interessante pois tenho como visão da disciplina instrumentar os estudantes de maneira consistente.

 

 

Finalmente, este gráfico mostra a construção da nota final ao longo do curso, cronologicamente.  Os dois grandes saltos são referentes as duas avaliações que valem 3 pontos cada.  Para facilitar o gráfico, coloquei o ponto inicial em 1.4, que é a nota do seminário que é assumido tanto por mim quanto pelos estudantes como nota máxima.  Existe uma pequena queda ao longo do intervalo entre as duas avaliações.  Esta queda reflete a dualidade mostrada no gráfico um, que interpreto ser uma parte dos estudantes deixando de realizar os ensaios por um motivo ou outro.  Talvez seja necessário incluir uma atividade aqui para segurar esta queda.