Palestras
P01: Aquaporinas: Canais de Água e Suas Múltiplas Funções em Plantas e Animais
Marilia Gaspar(Instituto de Botânica)
Seg 13h30
P02: Epigenética: Possível Conexão Entre Estresse Sustentado e Transformação Maligna de Melanócitos
Miriam Galvonas Jasiulionis(UNIFESP)
Seg 13h30
O desenvolvimento de diversas patologias, incluindo o câncer, tem sido associado a condições de estresse crônico. Radiação ultravioleta (UV) e inflamação persistente, condições de estresse sustentado, são considerados fatores de risco para o desenvolvimento do melanoma. Melanoma é o tipo mais agressivo de câncer de pele, sendo altamente resistente às terapias atualmente disponíveis. Assim como outros tipos de tumores, alterações tanto genéticas quanto epigenéticas parecem contribuir com a gênese do melanoma. Epigenética se refere a marcas herdáveis na estrutura da cromatina que não envolvem mudanças na sequência primária do DNA. Metilação do DNA, modificações pós-traducionais em histonas, remodelamento da cromatina e microRNAs são alguns dos mecanismos epigenéticos que controlam a estrutura da cromatina. Tais mecanismos são essenciais para o desenvolvimento normal e para determinar padrões de expressão tecido-específicos. Marcas epigenéticas aberrantes podem levar a padrões inapropriados de expressão gênica e, com isso, contribuir com o desenvolvimento de condições patológicas como o câncer. Diferente de mutações, marcas epigenéticas são potencialmente reversíveis e podem mudar em resposta a alterações ambientais (dieta, hormônios, inflamação ou outros insultos). Neste sentido, evidências cada vez mais consistentes têm sugerido importante contribuição de marcas epigenéticas aberrantes na gênese de patologias induzidas por estresse crônico. Níveis aumentados de espécies reativas de oxigênio (ROS), causados, por exemplo, por inflamação crônica, envelhecimento ou radiação UV, poderiam ser responsáveis pelo estabelecimento de marcas epigenéticas anormais e estas poderiam contribuir de maneira importante na gênese do melanoma. Desta forma, o estudo da relação entre estresse sustentado, marcas epigenéticas aberrantes e transformação maligna de melanócitos poderá auxiliar a compreensão dos mecanismos envolvidos na gênese do melanoma e, com isso, abrir novas possibilidades para o desenvolvimento de novas formas de terapia. Estabelecemos em nosso laboratório um modelo murino de transformação maligna de melanócitos induzido por estresse sustentado. Alterações morfológicas e moleculares progressivas, que culminaram na aquisição de fenótipo maligno, foram observadas após submeter melanócitos não tumorigênicos a ciclos sequenciais de bloqueio de ancoragem. Com isso, obtivemos a partir de linhagem não tumorigênica de melanócitos (melan-a), melanócitos correspondendo a etapas intermediárias, pré-malignas, da gênese do melanoma (1C, 2C, 3C e 4C), além de diferentes linhagens de melanoma, tanto não metastáticas (4C3- e 4C11-) como metastáticas (4C3+, 4C11+, Tm1 e Tm5). Dados de nosso laboratório demonstraram que o bloqueio de ancoragem resulta em estresse oxidativo e que a produção aumentada de ânion superóxido está relacionada à hipermetilação global do DNA e ao aumento dos níveis protéicos de DNA metiltransferase 1 (Dnmt1) observados nesta condição. Temos buscado identificar os mecanismos moleculares pelos quais ROS modulam mecanismos epigenéticos e o impacto desta modulação na transformação maligna de melanócitos.
P03: Cronofarmacologia
Roberto DeLucia(ICB - USP)
Seg 16h00
P04: O Processo de Avaliação do Educando
Sônia Godoy Bueno Carvalho Lopes(IB - USP)
Seg 16h00
A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB, Lei no 9.394/1996) estabelece que o processo de avaliação deve ocorrer ao longo de todo o ano e não apenas em uma prova ou em um trabalho. Essa forma de avaliar, chamada avaliação formativa ou global não tem como pressuposto a punição ou a premiação. Ela valoriza o ritmo de aprendizagem de cada educando e propõe que o professor diversifique as estratégias de avaliação para que possa acompanhar o processo de aprendizagem do aluno. Independentemente dos instrumentos que forem utilizados para avaliar, o professor deve ter em mente que os resultados da avaliação devem provocar reflexões quanto a suas propostas de ensino e, se for o caso, repensálas, para oferecer aos educandos melhores condições de aprendizagem. A avaliação só faz sentido se tiver o intuito de buscar caminhos para o aprendizado do estudante e não deve ser usada como punição, mas como um instrumento que auxilie o educando em seu desenvolvimento. A avaliação formativa pode ser feita de diferentes maneiras, envolvendo avaliação inicial ou diagnóstica, avaliação processual ou reguladora, finalizando com a avaliação integradora. Terminada a avaliação integradora, com a observação diária e multidimensional e o uso de instrumentos diversificados (não somente provas), passase à fase da atribuição de conceitos. O ideal é que esses conceitos sejam acompanhados de uma avaliação escrita dos processos envolvidos na aprendizagem do educando, visto que essas informações dizem muito mais que a nota ou o conceito final. Essa forma multidimensional de avaliação propicia a aprendizagem, pois o educador passa a observar o aluno sob diferentes aspectos, identificando necessidades e não problemas de aprendizagem. Em hipótese alguma deve-se estigmatizar o educando como se fosse alguém com hábitos e ideias imutáveis, um sujeito incapaz de se transformar. Por último, não podemos perder de vista que o resultado da avaliação interessa a quatro públicos: ao educando, aos responsáveis pela educação dos educandos, ao educador e à equipe docente. Em função desses aspectos, a divulgação da avaliação escolar deve ser entregue ao próprio aluno, evitandose a colocação de notas em murais, o que pode estimular a rotulagem dos educandos por parte de colegas, dificultando a superação das dificuldades de aprendizagem.
P05: Ecologia de Ambientes Recifais
Bárbara Segal(UFSC)
Seg 18h30
Os recifes são os habitats mais ricos e diversos do ambiente marinho. Tal riqueza e diversidade é sustentada pela existência de organismos bentônicos construtores, que aumentam a complexidade e alteram as características físicas do ambiente, favorecendo a existência de inúmeros outros organismos. Dentre estes, destacam-se importantes recursos utilizados pelos seres humanos. Existem vários tipos de ambientes recifais que serão abordados durante a palestra. Também serão abordados os principais organismos construtores e causadores de bioerosão, assim como os processos importantes à manutenção dos ambientes recifais e serviços ecossistêmicos. Por fim, serão abordadas algumas ameaças a esses ambientes e ações atuais em prol de sua conservação.
P06: Origem e Filogenia de Vírus
Paolo Marinho de Andrade Zanotto(ICB - USP)
Ter 13h30
P07: A Transposição de Conhecimentos na Sala de Aula do Ensino Médio: Conversas Entre a Linguagem Científica e a Linguagem Didática
Alessandra Fernandes Bizerra(IB - USP)
Qua 13h30
O discurso científico é diverso e tem como fontes as especialidades, os métodos, os problemas, os posicionamentos sociais e individuais e outras dinâmicas que impulsionam as atividades científicas. Podemos dizer o mesmo do discurso didático, que também se apresenta heterogêneo, haja vista a variedade de contextos educativos e as relações ali estabelecidas. Mas como ocorre o diálogo entre esses dois discursos, o didático e o científico? O que podemos desenvolver na sala de aula de Biologia do Ensino Médio, enquanto professores, para que esses discursos dialoguem? Neste encontro, discustiremos alguns elementos que caracterizam as diferentes linguagens utilizadas pelo professor em sala de aula, buscando formas de aproximar as culturas científica e escolar.
P08: Uso de Tocas por Mamíferos e Aves na Mata Atlântica
Beatriz de Mello Beisiegel(CENAP/ICMBio)
Ter 13h30
Abrigos ou tocas para a realização de diversas atividades, como criação de filhotes ou repouso, são um recurso essencial para muitas espécies de animais e sua disponibilidade pode ser um fator determinante na forma de uso do espaço por algumas espécies. Nesta palestra serão apresentados os tipos de tocas no solo encontrados no Parque Estadual Carlos Botelho (PECB), uma área de Mata Atlântica no sudeste do Brasil, e seu uso por mamíferos e aves. Serão analisadas as relações entre tipos e localização das tocas com os animais que as utilizam e levantadas hipóteses sobre os fatores que determinam a escolha de tocas pelas espécies.
P09: Áreas Úmidas de Interesse para o Brasil
Yara Schaeffer-Novelli(IO - USP)
Ter 16h00
Áreas úmidas constituem sistemas extremamente vulneráveis, com elevadas diversidades estrutural e funcional. A riqueza biológica faz com que esses ambientes sejam os grandes "berçários" naturais nas diversas fases do ciclo de vida das espécies, ou ainda pontos de parada para espécies migratórias. As áreas úmidas no Brasil são caracterizadas por ocuparem grandes extensões, contribuindo sobremaneira para a fertilidade dos corpos de água (bacias hidrográficas) aos quais se encontram integradas. Nos ambientes tropicais, essas áreas são dominadas por uma variedade de grupos vegetais - produtores primários responsáveis por complexas redes tróficas. Impactos de ordem econômica sobre esses ambientes podem ter dimensões consideráveis, com sérias implicações para as comunidades tradicionais (naturais) associadas, como para todos aqueles que dependem direta ou indiretamente dos recursos, bens, serviços e produtos providos, graciosamente, pelas áreas úmidas. Levando em conta a dinâmica das relações entre sociedade e áreas úmidas, uma nova ordem mundial se estabelece em relação ao planejamento de uso e de ocupação de regiões, principalmente ao serem consideradas as mudanças globais, responsáveis por alterações dos ambientes físico e biológico, em níveis local, regional e global.
P10: Astrobiologia: Estudando a Vida no Universo
Douglas Galante(IAG - USP)
Ter 16h00
A Astrobiologia é um ramo recente da ciência que utiliza ferramentas da Astronomia, Biologia, Física e Química para compreender um dos sistemas mais complexos do Universo, a vida - seu surgimento, evolução e distribuição. Apresentamos o primeiro laboratório dedicado a estudos em Astrobiologia do Brasil – AstroLAB, sendo instalado no Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da USP. Como parte central de nosso laboratório está sendo construída uma câmara de simulação capaz de mimetizar parâmetros ambientais encontrados em outros corpos do sistema solar e na Terra primitiva, para testar a resposta biológica e química a essas condições. O laboratório também está sendo projetado para trabalhar com organismos conhecidos como extremófilos, ou seja, capazes de sobreviver em ambientes extremos.
P11: Visão, Cegueira e o Cérebro
Luiz Roberto Giorgetti de Britto(ICB - USP)
Ter 18h30
A visão é indubitavelmente um dos sentidos mais importantes para a adaptação ao ambiente. A organização desse processo envolve circuitos neurais, desde a retina até o córtex cerebral, incluindo regiões subcorticais. No córtex visual, há uma organização hierárquica que se inicia no córtex visual primário, onde ocorre uma decodificação dos sinais visuais; a seguir, o córtex visual secundário realiza uma síntese dos vários aspectos da imagem, enquanto que o último estágio, o córtex visual terciário, integra os sinais em um quadro coerente, garantindo a percepção propriamente dita. Lesões ou disfunções em qualquer ponto do sistema visual podem induzir deficiências visuais dos mais variados tipos. Lesões retinianas, do nervo óptico, do trato óptico e de algumas regiões subcorticais provocam perdas visuais previsíveis em função da organização topográfica do sistema, enquanto alterações corticais podem produzir quadros mais complexos, como a chamada blindsight e alguns tipos de alexia.
P12: Bioengenharia de Redes Neurais
João Ranhel(EP - USP)
Qua 13h30
Desde 1943, quando McCulloch e Pitts criaram o primeiro modelo matemático de neurônio artificial, cientistas tentam criar modelos de redes neurais artificiais com dois propósitos principais: criar aplicativos computacionais que usam certos atributos cerebrais a fim de de resolver uma classe de problemas difíceis de serem resolvidos por algoritmos(de uso na engenharia, matemática, etc), e simular e modelar o comportamento de cérebros (de interesse da biologia, ciências cognitivas, neurociência, etc). Essa palestra faz uma revisão do uso das redes neurais, desde os primeiros modelos neurais (perceptrons), até o presente (spiking-neurons), mostrando o estado da arte em redes neurais pulsadas: os modelos de neurônios baseados em sistemas dinâmicos. A palestra quer dar um overview sobre as três gerações de redes neurais artificiais simuladas em computador, suas finalidades, e o que esperar delas. Vamos, portanto, abordar: (1) modelos matemáticos de neurônios (perceptrons, Hodgkin & Huxley, família Integrate-and-Fire, etc). Depois (2) analisaremos a questão da plasticidade celular, sináptica e estrutural. Em seguida, (3) o problema do acoplamento neural e os tipos de redes resultantes: fatores de acoplamento, topologias, atrasos e sincronismo de pulsos. Na sequência, (4) o comportamento dos neurônios em grupo, gerando um resultado final que é a computação executada na rede. Ao final, vamos apresentar uma abordagem que está surgindo aqui na USP, a (5) computação por assembléias, discutindo como esta abordagem, em termos biológicos, é muito mais plausível com neurônios e cérebros naturais; além de apontar futuras frentes de pesquisa e possibilidades dessa abordagem.
P13: Marcação e Recaptura
Thomas Püttker(IB - USP)
Qua 13h30
Desde o início de estudos com animais, ecólogos se interessam por características de populações de animais silvestres. Uma dessas características, por exemplo, está relacionada à abundância de espécies em um determinado local e é representada pela pergunta: Quantos indivíduos há? Essa pergunta parece simples, mas considerando o comportamento conspícuo de vários animais silvestres, revela-se que apesar de a pergunta ser simples, a resposta não o é. Considerando-se que em um certo local foi visto pelo menos um indivíduo antes que essa pergunta fosse feita, esta pode ser um pouco mais refinada: quantos indivíduos há além daqueles que eu avistei? Métodos de captura-marcação-recaptura e os modelos matématicos desenvolvidos para analisar dados coletados com esses métodos possibilitam responder a essa e a outras perguntas relacionadas aos parâmetros demográficos de populações de animais. O objetivo da palestra é apresentar os possíveis tipos de perguntas que podem ser respondidos por meio deste método, com a intenção de tornar conhecida essa poderosa ferramenta. Apresentarei um panorama sobre as diferentes possibilidades que os métodos de captura-marcação-recaptura oferecem. Serão feitas considerações de desenho experimental, que devem ser fruto de uma profunda reflexão antes do início da coleta de dados, das diferentes técnicas referentes aos diferentes organismos investigados durante a coleta de dados e do início das posteriores análises de dados. Finalmente, apresentarei exemplos da ciência atual nos quais os métodos de captura-marcação-recaptura foram usados com diferentes fins.
P14: Arquitetura Sustentável
Fábio Lanfer(Mackenzie)
Qua 16h00
Alternativas de projeto; dos materiais ecológicos aos edifícios inteligentes. Experiências com Bambu, barro, e materiais reciclados. Projetos de grande escala: Hospitais eco-eficientes, e reflexões sobre a articulação urbanística nas infra-estrutura metropolitana de São Paulo.
P15: Nanobiotecnologia
Priscyla Daniely Marcato(UNIFESP)
Qua 16h00
P16: Botânica e Conhecimento Popular: Aproximação e Distanciamento
Paulo Takeo Sano(IB - USP)
Qua 18h30
Clique aqui para um resumo detalhado desta palestra.
P17: Mortos Que Falam: o Que Podemos Aprender Com o Estudo de Restos Esqueletais Humanos?
Maria Mercedes Okumura(MAE - USP)
Qui 18h30
Esta palestra visa apresentar as possibilidades de pesquisa de um biólogo na área de antropologia biológica com ênfase no estudo de esqueletos humanos. Através de diferentes métodos, que vão desde a análise morfológica dos esqueletos até a análise do DNA, é possível estudar diversos aspectos dos povos do passado, tais como a sua ancestralidade e o seu estilo de vida, incluindo dieta, patologias, modificações corporais, entre outros.