Mini-cursos
MC01: Evolução e Desenvolvimento (Evo-Devo) com Ênfase em Vertebrados
Tiana Kohlsdorf e Mariana Bortoletto Grizante(FFCLRP - USP)
Seg, Ter 18h30
A biologia evolutiva do desenvolvimento (ou 'evo-devo', do inglês 'evolutionary developmental biology') é uma área integrativa que busca explicar a evolução de características fenotípicas por meio de mudanças em processos e vias associadas ao desenvolvimento embrionário dos organismos. O mini-curso trará uma breve contextualização teórica da área, discutindo as principais questões abordadas pela biologia evolutiva do desenvolvimento, além de alguns dos métodos utilizados para respondê-las. Em seguida, será feito um panorama geral do desenvolvimento comparado de animais vertebrados, incluindo observação de série de embriões de peixes e de estágios embrionários equivalentes em diferentes grupos de Reptilia.
MC02: Identificação de Famílias de Coleoptera que Ocorrem no Brasil
Sergio Antonio Vanin(IB - USP)
Seg 13h30
Atenção: este mini-curso será realizado apenas na segunda-feira, das 13h30 às 22h30.
Besouros são insetos com metamorfose completa que possuem as asas anteriores modificadas em élitros. Para o Brasil foram registradas cerca de 28.000 espécies, reunidas em 105 famílias. O mini-curso constará de uma breve explanação inicial, na qual serão apresentadas noções sobre a diversidade e a classificação dos coleópteros. Será dada ênfase para as principais características morfológicas que serão utilizadas na identificação dos adultos de besouros. Algumas famílias serão identificadas com o uso de chaves dicotômicas enquanto, outras, já estarão identificadas e serão apresentadas como material em demonstração.
MC03: Genes Hox
Irene Yan e Felipe Monteleone Vieceli(ICB - USP)
Seg, Ter 18h30
A diversidade de formas corporais entre os Bilateria é supreendente e imediatamente gera a pergunta: como que esta diversidade de formas apareceu na evolução? Ao mesmo tempo, se considerarmos que os Bilateria surgiram de um ancestral comum, incita-se uma outra pergunta: existe um mecanismo ancestral comum que rege a formação do plano corporal? A resposta para ambas as perguntas está na análise dos genes Hox ou genes homeóticos. Os genes Hox estão presentes desde os metazoários mais basais até os vertebrados e exercem sempre um papel fundamental na definição dos eixos do corpo e de apêndices durante a embriogênese animal. São, portanto, instrumentos básicos evolutivamente conservados para a formação do plano corporal. O papel central de genes Hox é refletido também nas variações de plano corporais resultantes de ligeiras modificações nas sequências codificantes e não-codificantes destes.
Neste mini-curso, abordaremos o papel dos genes Hox e sua relevância na embriogênese, além de como variações destes genes durante a evolução geraram e gerariam planos corporais diversos.
MC04: A Importância das Metodologias nos Estudos de Biologia da Polinização
Kayna Agostini(Universidade Metodista de Piracicaba)
Ter, Qua 08h00
Como é de conhecimento geral a polinização faz parte do ciclo reprodutivo das angiospermas e consiste no transporte do grão de pólen até o estigma da flor. Atualmente, os estudos que envolvem a polinização são importantes para entendermos a diversidade em nível populacional e em nível de comunidade. Estudos sobre biologia da polinização podem ser realizados com diferentes enfoques, mas é necessário o conhecimento básico de diversas metodologias, principalmente sobre biologia floral e comportamento dos polinizadores. O objetivo deste mini-curso é expor diversas metodologias que podem ser utilizadas em estudos sobre biologia da polinização e entender a aplicabilidade das mesmas. O mini-curso se baseará em: 1) estudos da flor (morfologia floral; antese, avaliação de disponibilidade de recursos florais, viabilidade de grãos de pólen, receptividade de estigma, estimativa da razão pólen/óvulo); 2) síndromes de polinização; 3) testes de polinização (agamospermia, autopolinização e polinização cruzada manual e natural) e 4) estudos do comportamento do polinizador. É esperado que após o mini-curso os alunos consigam desenvolver projetos iniciais sobre biologia da polinização.
MC05: Glia
Carmem Gottfried(UFRGS)
Ter, Qua 08h00
As células gliais influenciam a atividade neural orquestrando diversas funções, incluindo participação de barreiras encefálicas, do acoplamento neurovascular, de mecanismos de defesa e de sistemas de reparo, podendo atuar como sensores de disfunção neural em resposta a estresse e desencadear processos de cicatrização. Além disso, expressam uma grande variedade de receptores para neurotransmissores e desempenham função importante na sinapse. Nas últimas décadas, surgiram muitos estudos visando compreender como a nossa complexa e intrincada rede de cerca de 100 trilhões de sinapses é estabelecida e remodelada durante o aprendizado ao longo do desenvolvimento. Os astrócitos participam como elementos-chave para a formação, plasticidade, eliminação e função sináptica e possuem domínios periféricos dinâmicos, em contato com células vizinhas. Os oligodendrócitos possuem um papel fundamental na mielinização axonal, podendo sofrer desmielinização decorrente de distúrbios funcionais e remielinização. A microglia constitui uma população de células com imunidade intrínseca do SNC, que podem atuar como rastreadores (scanners) em busca de irregularidades, passando do estado de vigilante e alerta, para o estado ativado mediante uma condição de estímulo adverso ou um quadro patológico. Podem também modular neurogênese, função e desenvolvimento neural. Não há dúvidas de que nas últimas décadas se descobriu inúmeras funções desempenhadas pelas células gliais, fazendo com que estas células passassem a ocupar um lugar de destaque no cenário da neurociência, visando melhor compreensão de patologias e novos alvos terapêuticos. Dessa forma, o MC-GLIA tem como objetivo principal, proporcionar uma descrição morfofuncional das células gliais, integrando mecanismos e conceitos básicos relacionados com plasticidade neural em situações fisiológicas e patológicas, abordando: 1. Marcos históricos; 2. Origem das células gliais no sistema nervoso central e periférico; 3. Funções associadas com barreiras neurais; 4. Sinalização e plasticidade neuroglial; 5. Novos questionamentos e estudos futuros.
MC06: Biologia do Sono
Gabriel Natan Pires(UNIFESP)
Ter, Qua 08h00
O sono é um assunto que vem recebendo cada vez mais atenção. Basta que se atente ao crescente volume de publicação científica nesta área, bem como à exposição desse tema na mídia. Essa visibilidade pode ser devida a dois fatos principais: às novas descobertas nas ciências do sono e cronobiologia, bem como à evidente condição de débito crônico de sono vivida pela população e desencadeada por fatores relacionados à rotina de vida moderna. Desse modo, o presente mini-curso busca abordar de modo bastante abrangente as ciências do sono e da cronobiologia. Serão abordados principalmente assuntos de interesse estrito à biologia, mas também temas da área médica, oferecendo ao aluno uma abordagem translacional sobre o sono. Em suma, o curso será dividido em seis módulos: 1. Conceitos básicos sobre sono e cronobiologia; 2. Sono em condições normais; 3. Distúrbios de sono; 4. Avaliação do sono; 5. Privação de sono; 6. Sono e sociedade.
MC07: Agroecologia e Sistemas Agroflorestais
Simone Bazarian, Pedro Kawamura e Paulo Fonseca
Ter, Qua 08h00
Conteúdo: Agroecologia: princípios e definições; Agroecologia como ciência emergente para a sustentabilidade na pauta dos movimentos sociais; A evolução do meio rural e o processo de modernização agrícola: consumo de agrotóxicos, êxodo rural, perda da biodiversidade; Mudanças climáticas, resistência e resiliência: ambiente urbano, agroecossistemas convencionais e agroecológicos; Eficiência energética, Produtividade, Serviços ambientais, e conservação da biodiversidade em sistemas agroecológicos; Ensino, pesquisa, extensão e redes em agroecologia; Práticas agroecológicas; Sistemas Agroflorestais: tipos, princípios e aplicações, conservação da paisagem; SAFs e código Florestal; Práticas em agroecologia urbana.
MC08: Alergias
Antônio Condino Neto(ICB - USP)
Ter, Qua 13h30
As alergias são doenças altamente prevalentes nas sociedades industrializadas, variando sua taxa de 20 a 30% na população. São doenças poligênicas e complexas, com grau variado de gravidade, associadas ou não a infecções de repetição. Seu estudo, diagnóstico e manejo deve levar em conta o meio ambiente, o potencial genético, a associação ou não com outras doenças de base imunológica e a resposta individual a fármacos. Neste módulo do mini-curso, abordaremos seus principais mecanismos imunofarmacológicos no contexto do desenvolvimento do sistema imunológico, as doenças mais frequentes e o seu manejo segundo diretrizes estabelecidas na literatura.
MC09: Metabolismo de Inverno
José Eduardo de Carvalho(UNIFESP)
Ter, Qua 13h30
MC10: Flor e Fruto: Morfologia, Filogenia e Ecologia
Gladys Flavia Melo de Pinna e Diego Demarco(IB - USP)
Qua, Qui 18h30
As flores constituem as estruturas mais vistosas das Angiospermas e têm atraído a atenção da maior parte dos observadores desde os primórdios do estudo botânico, com variadas especializações estruturais relacionadas a polinizações pelo vento e até a elaborados mecanismos vinculados à coevolução de seus polinizadores. Outro evento muito importante na evolução das plantas vasculares foi o surgimento dos frutos, que possibilitou uma maior proteção às sementes e, consequentemente, aos seus embriões, ao mesmo tempo em que promoveu uma grande diversidade de mecanismos de dispersão. Esses são os principais aspectos a serem abordados neste mini-curso, por meio de aulas teóricas e práticas, procurando integrar os conhecimentos estruturais, filogenéticos e ecológicos dos órgãos reprodutivos dentro do grande grupo das Angiospermas.
MC11: Conservação de Invertebrados em Extinção
Karina Schmidt Furieri(IPEMA)
Qua, Qui 18h30
Critérios que levam uma espécie a ser considerada ameaçada de extinção; critérios para que uma espécie tenha seu risco de extinção avaliado; os invertebrados ameaçados de extinção no Brasil; critérios que levaram à inclusão dessas espécies na Lista Vermelha Brasileira; invertebrados com risco de extinção não avaliado; o papel das unidades de conservação na proteção das espécies de invertebrados; planos de manejo para espécies de invertebrados ameaçadas de extinção; conservar as espécies ou os habitats?; a divulgação científica na conservação de invertebrados.
MC12: Arqueologia Forense
Adelino Poli Neto(Instituto Adolfo Lutz)
Qua, Qui 18h30
Arqueologia Forense é o ramo da Arqueologia voltado à resolução de casos criminais surgidos em Investigações policiais e nos procedimentos legais. O arqueólogo forense é solicitado por autoridades judiciais, policiais e por agências especializadas para localizar cemitérios clandestinos, túmulos, recuperar restos humanos e outros utensílos de valor probatório procurados como parte de investigações de crimes sem solução. Ainda é solicitada para confirmação de laudos encaminhados à Justiça através de exulmações para uma segunda necrópsia. Serão abrangidos alguns temas como: Morte - uma visão arqueológica e antropológica, práticas funerárias, causas prováveis de morte, reconstrução facial, mumificações, inumações e exulmações, entomologia, tanatologia, locais de crimes e análises de ossadas.
MC13: Ilustração Botânica
Diana Marliete Carneiro Marques(CIBP)
Qui, Sex 08h00
(1) Apresentação do material usual seguida de uma demontração de desenho rápido do natural. Elaboração de um esboço rápido. (2) Sombreamento do esboço e orientações para a transferência do desenho para o papel definitivo. (3) Análise de algumas exsicatas com sugestões de procedimentos para a elaboração de desenhos. (4) Apresentação do material e demonstração da técnica do bico de pena sobre o desenho feito. (5) Apresentação de slides demostrativos das técnicas de grafite e de bico de pena e dos códigos de representação usados em ilustração botânica. (6) Apreciação de trabalhos feitos e esclarecimentos de dúvidas gerais.
MC14: DNA Não-Codificador: Origem e Função
Pedro Alexandre Favoretto Galante(Instituto Ludwig)
Qui, Sex 08h00
A maior parte dos genomas dos mamíferos, incluindo o da nossa espécie, é composto por DNA não codificador para proteínas. Estas sequências, que já foram classificadas com "junk DNA", hoje são extensivamente estudadas em termos de suas funções e origem. Atualmente, alguns autores até sugerem uma correlação direta entre a maior quantidade de DNA não codificador e a complexidade do organismo. Também nestas regiões genômicas não codificadoras estão localizadas diversas classes de genes importantíssimos, tais como os RNAs ribossomais, os RNAs transportadores, os RNAs não codificadores longos e os microRNAs. No geral, as sequências reguladoras da expressão e da estabilidade de todos os genes de um organismo também estão localizadas nas regiões não codificadoras. Entre as maneiras utilizadas para se estudar o DNA não codificador, aquelas que utilizam dados de conservação entre espécies e análises em larga escala de bioinformática são as mais utilizadas. Neste mini-curso serão abordados os principais conceitos relacionados ao DNA não codificador, incluindo suas funções e evolução. Também serão abordados alguns métodos práticos de estudo destas seqüências.
MC15: Ensino de Ciência por Argumentação
Daniela Lopes Scarpa(UFABC) e Renata Orofino(IB - USP)
Qui, Sex 08h00
A atividade científica é composta por inúmeras características singulares, como a argumentação. As pesquisas recentes indicam que uma alfabetização científica requer o aprendizado das diferentes características da ciência. Logo, aprender a argumentar cientificamente deve ser um dos objetivos do ensino de ciências. A estrutura do argumento de Stephen E. Toulmin (2006) tem sido extensivamente usada nas pesquisas em ensino de ciências, indicando que sequências didáticas voltadas para esse fim podem ser planejadas com a ajuda dessa ferramenta. Portanto, o professor com consciência e domínio dessa ferramenta pode criar e avaliar sequências didáticas que tenham como objetivo a argumentação. Neste mini-curso abordaremos a importância da argumentação no ensino de ciências, indicaremos vantagens e desvantagens da ferramenta de Toulmin e como utilizá-la na criação e avaliação de atividades de ciências com exemplos práticos. Bibliografia sugerida: TOULMIN, S.E. Os usos do argumento. São Paulo: Martins Fontes, 2ª ed., 2006.
MC16: Espeleobiologia
Maria Elina Bichuette(UFSCar)
Qui, Sex 08h00
O ambiente subterrâneo possui algumas características que o torna bem peculiar quando comparado com o da superfície. A zona afótica é caracterizada principalmente por ausência permanente de luz, temperatura relativamente constante acompanhando a média anual da região, atmosfera saturada de água e alta concentração de CO2. Essas características irão influenciar fortemente a distribuição dos organismos. Devido à ausência permanente de luz, os organismos fotoautotróficos estão ausentes neste ambiente, de modo que os organismos cavernícolas dependem principalmente de itens alóctones como fonte energética. Os animais cavernícolas são frequentemente inseridos em categorias ecológico-evolutivas. Os Trogloxenos, encontrados regularmente no meio hipógeo, que precisam retornar à superfície ou à zona de entrada para completar seu ciclo de vida; os Troglófilos, espécies que podem viver e se reproduzir tanto no meio hipógeo quanto no epígeo; os Troglóbios, espécies restritas ao ambiente subterrâneo, geralmente caracterizadas por troglomorfismos, estados de caráter associados à ocupação e isolamento neste ambiente. Os troglomorfismos mais comuns são a regressão, até ausência, dos olhos e da pigmentação melânica. Também podemos encontrar organismos acidentais que utilizam cavernas como rotas de fuga de predadores, como abrigo contra dessecação ou que até penetram por acidente, mas que são incapazes de se orientar para sair da caverna. O Brasil possui uma riqueza elevada de espécies cavernícolas e apresenta um grande potencial para trabalhos sobre ecologia, sistemática, evolução, comportamento e fisiologia.