9(2) Filosofia e História da Biologia

Dezembro 2012

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Expediente

Consultores científicos: Camile Maria Costa Corrêa, Daniel Lahr, Gildo Santos, Hamilton Haddad, Leopoldo Barletta e Pedro José Da Gloria

Editor Científico: Maria Elice Brzezinski Prestes

Editores gráficos: Juliana Roscito e Leonardo M. Borges

Coordenadores: Agustín Camacho, Daniela Soltys, Pedro Ribeiro e Rodrigo Pavão

Artigos

Editorial
Maria Elice Brzezinski Prestes

É com muita satisfação que atendemos ao convite de Revista da Biologia para um número especialmente voltado a temas de Filosofia e História da Biologia. A Biologia é a mais nova dentre as ciências a trazer o seu objeto de investigação, a vida, para a abordagem histórica e filosófica, como ocorreu mais precocemente com a Física, a Matemática e a Química. Sendo um campo de investigação que se institucionalizou nas últimas décadas, particularmente a partir dos anos 1960 e 1970, constitui-se, talvez, em uma novidade aos próprios biólogos. Daí a maior relevância de iniciativas como a dos editores da revista, aos quais ...

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Lazzaro Spallanzani e a geração espontânea: os experimentos e a controvérsia
Eduardo Crevelário de Carvalho, Maria Elice Brzezinski Prestes

Este artigo aborda as pesquisas realizadas pelo naturalista italiano Lazzaro Spallanzani (1729-  1799) sobre a geração espontânea. Como se trata de uma ideia que não é mais aceita, ela costuma  ser abordada com ironia em relatos históricos anacrônicos. Nesses casos, desconsidera-se que foi  defendida por muitos estudiosos da natureza, durante muitos séculos. O objetivo deste trabalho é o  de analisar, após um panorama histórico das ideias de alguns dos principais autores envolvidos com  o tema, os experimentos de Spallanzani sobre a geração, no contexto das teorias do século XVIII e  particularmente da controvérsia entre Spallanzani e John T. Needham (1713-1781). Serão traçadas  também considerações sobre elementos de natureza epistêmica e não-epistêmica que participam da  solução, ou não, das controvérsias científicas. Palavras-chave. Controvérsias científicas, geração espontânea, Lazzaro Spallanzani. DOI: 10.7594/revbio.09.02.01

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O conceito de organismo em uma abordagem hierárquica e sistêmica da biologia
Fernanda Aparecida Meglhioratti, Charbel Niño El-Hani, Ana Maria de Andrade Caldeira

Alguns autores têm sustentado que o conceito de organismo, de forma geral, perdeu seu papel na Biologia, devido à crescente ênfase nos aspectos moleculares e ao fato de a biologia evolutiva darwinista não ter atribuído por um longo tempo um papel explicativo claro ao organismo em sua estrutura conceitual. Entretanto, o conceito de organismo pode ser considerado fundamental para a demarcação da Biologia como ciência autônoma e com objeto de pesquisa próprio. Buscando contribuir para o debate sobre o conceito de organismo, discutimos nesse trabalho como o organismo pode ser concebido em uma abordagem hierárquica e sistêmica da Biologia, como uma unidade autônoma, com capacidade de agência, coletiva e evolutivamente construída, e possuindo propriedades que emergem no nível orgânico. Palavras-chave. Autonomia, hierarquia biológica, organismo. DOI: 10.7594/revbio.09.02.02 

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As concepções evolutivas de Darwin sobre a expressão das emoções no homem e nos animais
Fernando Moreno Castilho, Lilian Al-Chueyr Pereira Martins

O trabalho mais conhecido de Charles Darwin é o Origem das espécies (1859). No entanto, nesta obra ele não lidou com o homem. Ele fez isso em duas outras obras: The descent of man (1871) e The expression of emotions in man and animals (1872). O objetivo deste artigo é discutir algumas concepções evolutivas presentes nessas duas obras bem como alguns de seus antecedentes. Este estudo levou à conclusão de que embora Darwin considerasse a seleção natural como um importante meio de modificação em relação à expressão das emoções no homem e nos animais, enfatizou o papel da herança de caracteres adquiridos pelo uso e desuso em relação a este assunto. Palavras-chave. História da Evolução, Charles Darwin, expressão das emoções no homem e animais. DOI: 10.7594/revbio.09.02.03

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Moneras e individualidade biológica: alguns elementos do conceito de monera de Ernst Haeckel
Guilherme Francisco Santos

Ernst Haeckel formulou e desenvolveu uma proposta de morfologia evolucionista na qual ocupa um lugar central o conceito de monera. As moneras são para ele os organismos mais simples e primitivos, a partir dos quais é possível investigar a passagem do inorgânico ao orgânico, as bases iniciais para toda a evolução e desenvolvimento dos seres vivos e o aparecimento da individualidade orgânica. Apresentamos neste artigo alguns dos elementos centrais do conceito de monera de Haeckel e algumas questões relativas à sua noção de individualidade sob a luz dos seus estudos sobre moneras. Palavras-chave. Moneras, Ernst Haeckel, morfologia evolutiva, geração espontânea, individualidade orgânica. DOI: 10.7594/revbio.09.02.04

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A Teoria das Hierarquias e seus fundamentos epistemológicos
Nei Freitas Nunes-Neto, Charbel Niño El-Hani

A teoria das hierarquias emergiu, a partir de meados da década de 1960, como resultado de uma convergência de contribuições advindas de diversas disciplinas que compartilhavam à época um interesse pela complexidade, como economia, química e biologia. Da perspectiva da teoria das hierarquias, a complexidade não é considerada uma propriedade dos sistemas naturais em si mesmos e tampouco é concebida como uma propriedade exclusiva da mente humana, mas sim como uma propriedade das questões colocadas por nós, agentes do conhecimento, no processo de observação. A complexidade emerge, pois, na relação entre os sistemas naturais e os sujeitos cognoscentes. Este trabalho realiza uma análise dos fundamentos epistemológicos da teoria das hierarquias, tratando, sobretudo, da possibilidade de embasá-la numa visão anti-realista, como o empirismo construtivo de van Fraassen. Palavras-chave. Hierarquias, complexidade, biologia, anti-realismo. DOI: 10.7594/revbio.09.02.05

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É legítimo explicar em termos teleológicos na biologia?
Ricardo Santos do Carmo, Nei Freitas Nunes-Neto, Charbel Niño El-Hani

Neste artigo, defendemos a legitimidade de explicar em termos teleológicos na biologia, desde que tal explicação seja limitada à compreensão de fenômenos em seres vivos que são dirigidos para objetivos, como os processos fisiológicos e o comportamento. É inadequado explicar teleologicamente outros fenômenos biológicos, como a evolução. Dentro do domínio de validade das explicações teleológicas, as explicações funcionais têm particular importância na biologia. Discutimos aqui duas abordagens que podem ser seguidas para dar conta das explicações funcionais, a etiológica e a sistêmica, que explicamos aqui a partir dos trabalhos de dois influentes filósofos da ciência, Wright e Cummins. Discutimos, por fim, a importância de um uso apropriado das explicações teleológicas no ensino de biologia, seja superior, seja médio. Palavras-chave. Teleologia, função, ensino de biologia. DOI: 10.7594/revbio.09.02.06

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Pseudo-história e ensino de ciências: o caso Robert Hooke (1635-1703)
Taysy Fernandes Tavares, Maria Elice Brzezinski Prestes

Esta pesquisa utiliza análise de componentes característicos de narrativas míticas em trechos históricos de livros didáticos. A presença desses componentes é indicadora de o que Douglas Allchin denomina “pseudo-história”, que deve ser evitada no ensino de ciências. O episódio histórico analisado foi o da observação da cortiça realizada por Robert Hooke no século XVII em livros didáticos de biologia, aprovados no PNLEM/2009. Os resultados encontrados mostram que embora contribua à discussão metacientífica, a proposta de Allchin parece insuficiente quando aplicada sobre materiais muito breves, sendo necessário um estudo aprofundado do episódio histórico em questão. Palavras-chave. História da biologia, livros didáticos, pseudo-história, Robert Hooke. DOI: 10.7594/revbio.09.02.07

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