8 Mudanças Ambientais

Junho 2012

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Artigos

Editorial: Efeitos das mudanças ambientais globais e regionais sobre a fauna
Carlos A. Navas

Em 2008 tive a oportunidade de colaborar para o primeiro volume da Revista da Biologia com um breve ensaio sobre por que, se extinções derivadas de mudanças climáticas tem sido consideradas eventos naturais na Terra, deveriamos nos preocupar com o cenário atual de extinções associadas a um clima alterado pela ação antrópica (Navas and Cruz-Neto 2008). Desde essa data até o presente o tema se converteu na principal linha de pesquisa do laboratório sob a minha direção, e as redes de colaboração com colegas interessados em outros tipos de impacto ambiental cresceram significativamente. Este processo não foi casual, mas uma resposta a uma situação para a qual a biologia tem muito a dizer, e que nos afeta a todos por razões científicas, éticas e práticas. Os eventos de extinção limitam progressivamente a nossa capacidade para estudar e entender a vida e afetam a nossa relação ...

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A macrofisiologia e sua importância em estudos sobre mudanças climáticas
Pedro Leite Ribeiro e Carlos Navas

O clima na Terra está mudando numa velocidade sem precedentes com conseqüências ainda desconhecidas para a fauna,de forma que novas abordagens de estudos comparativos se fazem necessárias para complementar o entendimento dos possíveis efeitos das mudanças climáticas causadas pelo homem. O desafio transcende as teorizações que podem ser feitas a partir do estudo comparativo de diversas populações e espécies viventes em diferentes ambientes. A macrofisiologia estuda e compara a variação fisiológica ao longo de marcados gradientes geográficos (por exemplo, biomas), e tem por objetivo complementar a classe de estudos comparativos já consagrados na literatura. O foco inicial é entender até que ponto a evolução em determinados biomas modula ou limita grandes padrões de variação fisiológica. Palavras-chave. Macrofisiologia, mudanças climáticas, diversidade fisiológica. doi: 10.7594/revbio.08.01

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Respostas dos animais ectotermos terrestres à variação microclimática
Agustín Camacho

Entender de maneira útil os efeitos da variação climática sobre os seres vivos requer de, ao menos, três passos: 1) Conhecer os princípios que explicam a variação dos parâmetros climáticos e as respostas dos seres vivos a esta variação. 2) Detectar os padrões de variação do clima nas escalas em que este interage com os organismos, e os padrões de resposta dos seres vivos. 3) Sintetizar teorias preditivas a partir deste conhecimento. Estudos dos efeitos da temperatura em animais ectotermos terrestres (AET) são extremamente abundantes, o que faz possível e necessário avançar sua síntese teórica. Neste texto, aplico os três passos referidos para propor um primórdio de teoria preditiva dos efeitos da temperatura sobre a biologia dos AETs em diferentes níveis organizacionais. Este mesmo procedimento pode ser aplicado a outras variáveis climatológicas ou características dos ectotermos não tratadas aqui, em um caminho de síntese teórica de abrangência cada vez maior. Palavras-chave. Mudanças ambientais, microclima, fisiologia termal. doi: 10.7594/revbio.08.02

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Mudanças climáticas e os lagartos brasileiros sob a perspectiva da história de vida
Renata Brandt

A história de vida é o resultado de um desafio ecológico imposto pelo ambiente, tenta explicar como a evolução molda os organismos a fim de atingir o sucesso reprodutivo (Stearns, 2000). Sendo assim está intimamente relacionada com as mudanças climáticas em pauta nesta edição especial. Neste artigo são revistos os efeitos de mudanças de temperatura e precipitação em alguns traços fenotípicos de história de vida de lagartos. Ao final, com base no conhecimento atual sobre os lagartos brasileiros e nas previsões de mudanças climáticas para o Brasil, são feitas algumas previsões de mudanças na história de vida dos lagartos. Palavras-chave. Mudanças climáticas, lagartos, história de vida.  doi: 10.7594/revbio.08.03

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Mudanças climáticas e fossorialidade: implicações para a herpetofauna subterrânea
Melissa Bars Closel e Tiana Kohlsdorf

Muitos estudos discutem os possíveis impactos do aquecimento global sobre aspectos biológicos, mas a maioria das previsões neste sentido não incorpora o efeito da heterogeneidade espacial e temporal associada às diferentes escalas de mudanças na temperatura, assumindo então que as possíveis alterações tenderiam a ser homogêneas. Entretanto, um mesmo ambiente pode apresentar dinâmicas muito particulares de variações na temperatura ambiental; por exemplo, microambientes subterrâneos apresentam variações diárias e sazonais de temperatura muito particulares, mas a maioria das especulações foca em representantes da herpetofauna de superfície. Nesse contexto, as generalizações acerca das previsões relativas às mudanças climáticas globais devem ser cautelosas e precisam incorporar as particularidades das espécies e suas respectivas relações térmicas com os microambientes em que estão inseridas. Palavras-chave. Mudanças climáticas, ambientes subterrâneos, sensibilidade térmica, hábito fossorial, herpetofauna. doi: 10.7594/revbio.08.04

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Tolerância e sensibilidade térmica em anfíbios
Marco Katzenberger, Miguel Tejedo, Helder Duarte, Federico Marangoni, Juan Francisco Beltrán

Atualmente vivemos um cenário de alterações climáticas em que se prevê o aumento da temperatura média e da ocorrência de picos de temperatura extrema, entre outros. Sabendo que os anfíbios correspondem a uma parte importante da biodiversidade mundial e que estes possuem um número de características fisiológicas, ecológicas e de história de vida que os tornam bastante susceptíveis a mudanças no ambiente, é fundamental conseguir identificar as espécies/comunidades mais vulneráveis ao aquecimento global. Assim, o estudo da tolerância e da sensibilidade térmica das espécies, e em particular dos anfíbios, é muito importante quando se pretende prever o impacto que o aumento das temperaturas poderá ter na fauna e flora do planeta. Palavras-chave. Alterações climáticas, diminuição dos anfíbios, temperatura, tolerância térmica, sensibilidade térmica. doi: 10.7594/revbio.08.05

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Mudanças climáticas e seus impactos sobre os anfíbios brasileiros
Thais R. N. Costa, Ana C. O. Q. Carnaval, Luís Felipe Toledo

A alteração das condições climáticas do planeta terá consequências diretas sobre animais ectotérmicos tais como os anfíbios. Neste estudo, realizamos um exercício de modelagem correlativa baseada em nicho climático para prever mudanças na distribuição de alguns anfíbios dos principais biomas brasileiros, assim como uma espécie de ampla distribuição (Eupemphix nattereri), face às alterações climáticas esperadas para os próximos 90 anos. Apresentamos e discutimos observações que revelam outras formas de influência do aquecimento global sobre o sucesso reprodutivo, qualidade de micro-hábitats, e interações entre anfíbios e seus patógenos. Palavras-chave. Mudanças climáticas, anfíbios, biogeografia, declínio populacionaldoi: 10.7594/revbio.08.06

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Distribuição de Rhinella granulosa: integrando envelopes bioclimáticos e respostas ecofisiológicas
Fernanda A. S. Cassemiro, Sidney F. Gouveia, José Alexandre Felizola Diniz-Filho

Neste trabalho utilizamos as abordagens correlativa e mecanística de modelagem para construir modelos de distribuição potencial atual de Rhinella granulosa. Os modelos correlativos gerados por várias variáveis climáticas (BIOCLIM1) foi o mais conservativo, um segundo com temperatura apenas (BIOCLIM2) apresentou manchas descontínuas e o mecanístico indicou habitats termais mais adequados numa extensa área contínua. O BIOCLIM1 apresentou maior acurácia na predição da distribuição do que o BIOCLIM2. O BIOCLIM1 também apresentou melhor desempenho, seguido pelo BIOCLIM2 e pelo modelo mecanístico. A diferença nas áreas de distribuição potencial entre os modelos provavelmente se deva ao uso de diferentes variáveis preditoras e podem ser reflexo de uma limitação de interações bióticas interespecíficas. Por ser ectotérmica, esta espécie nos permite avaliar melhor a influência da temperatura, através de dados ambientais e de tolerância termal da espécie, sobre sua área de distribuição potencial, bem como avaliar o desempenho dessas abordagens na elaboração de modelos de distribuição potencial de espécies e fazer inferências acerca de cenários futuros de aumento na temperatura. Palavras-chave. Tolerância termal, gradiente de temperatura, BIOCLIM, modelagem de distribuição de espécies. doi: 10.7594/revbio.08.07

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Microbiota, secreções cutâneas e microclima: consequências para os anfíbios
Ananda Brito de Assis

O significado das mudanças climáticas para os anfíbios, em sinergismo com outros impactos antropogênicos, está atrelado às possíveis mudanças dos microclimas nos habitats ocupados. Nesse contexto, os eventos de epidemias merecem destaque, uma vez que, é provável que as modificações no meio ambiente contribuam para a crescente disseminação de doenças. A primeira proteção dos anfíbios contra muitas doenças é a pele, junto com as suas secreções e microbiota, e são primordiais porque muitos dos agentes infecciosos envolvidos atuam nesse tecido. As principais barreiras são a microbiota residente e as secreções cutâneas, que possuem efeito antibiótico contra organismos patogênicos conhecidos. O ambiente modula as características inerentes a esses componentes, e por meio desses, mudanças nos padrões microclimáticos poderiam determinar os níveis de vulnerabilidade das populações de anfíbios aos patógenos. Palavras-chave. Anfíbios, microclima, microbiota, secreções cutâneas. doi: 10.7594/revbio.08.08

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Balanço hídrico e a distribuição geográfica dos anfíbios
Braz Titon Junior e Fernando Ribeiro Gomes

Dado que os anfíbios são geralmente caracterizados por uma elevada permeabilidade tegumentar, a variação interespecífica em aspectos do balanço hídrico poderia estar associada a padrões de distribuição dos anfíbios em ambientes que diferem quanto à disponibilidade hídrica. Análises comparativas de espécies que habitam diferentes biomas fornecem evidências de adaptações em diversas variáveis fisiológicas associadas ao balanço hídrico, tais como tolerância à desidratação, resistência da pele à perda de água e taxas de reidratação. Entretanto, aspectos ecológicos e comportamentais devem ser integrados aos fisiológicos, sob um enfoque histórico da diversificação dos clados e de sua ocupação ambiental, para o entendimento das bases funcionais da distribuição geográfica e da tolerância às alterações ambientais dos anfíbios. Palavras-chave. Desidratação, reidratação, tolerância à desidratação, anuros, disponibilidade hídrica. doi: 10.7594/revbio.08.09

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Fatores ambientais e reprodução dos peixes
Cristiéle da Silva Ribeiro e Renata Guimarães Moreira

A fisiologia da reprodução de peixes é um vasto campo científico que aborda um conjunto de processos fisiológicos essenciais para a reprodução, da fertilização do ovo ao comportamento sexual e de desova. Estes processos são modulados diretamente por fatores ambientais que podem direta ou indiretamente determinar o sucesso reprodutivo de uma espécie. Palavras-chave. Reprodução de peixes, temperatura, fotoperíodo, mudanças climáticas. doi: 10.7594/revbio.08.10

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Comentários

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Parabéns pelas publicações! Material excelente para graduação. Obrigada!!!

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