15(1) O Jornalismo Científico e as Neurociências

Janeiro 2016

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Expediente

Consultores científicos: Bernardo Esteves, Claudia Jurberg, Douglas Engelke, Hernan Rey, Jacqueline Leta, Julieta Campi, Kleber Neves, Olavo B. Amaral, Rodrigo Pavão, Sergio A. Mota-Rolim, Sergio Conde Ocazionez, Stéfano Pupe, Tatiana Nahas e Vítor Lopes-dos-Santos

Editores científicos: Olavo B. Amaral e Vítor Lopes-dos-Santos

Artigos

Editorial
Vítor Lopes-dos-Santos e Olavo B. Amaral

O propósito principal do jornalismo científico é levar à sociedade descobertas recentes publicadas em revistas científicas. Portanto, jornalistas especializados nessa área devem ser capazes de comunicar fatos científicos de interesse geral a leitores leigos de forma fidedigna porém acessível. É legítimo que nesse processo de tradução a publicação original perca precisão, e que fatos e números se transformem em histórias. Porém, assim como nos cadernos de política e economia, o jornalismo científico é extremamente...

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Jornalismo científico: a importância da estruturação do canal de comunicação entre cientistas e o público em geral
Sergio E. Lew e Hernan G. Rey

Não importa o quão útil, complexa ou surpreendente seja uma descoberta relacionada com o cérebro, ela afeta magicamente a opinião pública. Para além do entendimento dos mecanismos neurais estão a cura de doenças neurológicas e psiquiátricas e, ainda mais atraente, o poder de compreender e modificar o comportamento das pessoas. Enquanto os avanços têm sido informados à comunidade científica através de meios tradicionais, o público em geral receber estas notícias através da mídia. Neste trabalho, analisamos diferentes casos paradigmáticos em que estratégias inadequadas de comunicação e suas consequências tiveram um impacto negativo na sociedade. Junto com a apresentação desses casos, aconselhamos sobre a necessidade de incorporar os jornalistas ao círculo de descoberta e comunicação, a fim de garantir a compreensão, pelo público em geral, das descobertas e progresso da neurociência.
Palavras-chave. Divulgação científica; falha de comunicação; engajamento público. DOI: 10.7594/revbio.15.01.01

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O impacto da divulgação científica na perpetuação de neuromitos na educação
Roberta Ekuni e Sabine Pompéia

Com o avanço das neurociências desde a década de 1990 - considerada a década do cérebro - informações sobre o cérebro e o comportamento têm sido alvo dos holofotes midiáticos, provavelmente em resposta ao interesse da população em geral no assunto. Dentre estas informações, há diversos neuromitos, ou seja, concepções erradas sobre o funcionamento cerebral e o comportamento. Os neuromitos são transmitidos e perpetuados em diversos fóruns, incluindo o campo educacional, o qual pode empregar conceitos equivocados com consequências potencialmente contraproducentes para a sociedade. No presente ensaio, apresentaremos inicialmente alguns exemplos de como informações que teoricamente são baseadas em neurociência - mas que na verdade não são - influenciam os programas que visam melhorar a educação. Por fim, discutiremos também o papel do jornalismo científico, dos neurocientistas e dos educadores no desenvolvimento de uma educação baseada em evidências científicas, concluindo que é necessária uma ampla comunicação entre as classes para que essa seja possível. Palavras-chave. Neuromitos; neurociência; jornalismo científico; mitos científicos; educação. DOI: 10.7594/revbio.15.01.02

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As consequências da má divulgação científica
Guilherme Brockington e Lucas Mesquita

A divulgação científica parece ser o instrumento ideal de comunicação entre ciência e sociedade. Com alto potencial para atrair o público não-especializado, busca-se diminuir a complexidade intrínseca do conhecimento científico. Contudo, há um lado danoso do jornalismo científico, quando feito de forma descuidada ou sensacionalista. Neste artigo abordaremos as consequências da má divulgação científica por meio da apresentação de fatos e dados de pesquisas sobre o tema. Discutiremos alguns exemplos emblemáticos de como pode ser nociva a circulação de informações científicas errôneas ou tendenciosas e abordaremos brevemente como minimizar estes problemas. Palavras-chave. Divulgação científica; popularização da ciência; divulgação de neurociências; má divulgação científica. DOI: 10.7594/revbio.15.01.03

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A neurociência abraça o mundo
Kleber Neves

Vivemos em uma época em que a neurociência está na moda. Isso faz com que vários grupos vejam uma oportunidade de cooptar a neurociência para se destacar, muitas vezes fazendo isso de maneira questionável. A psicologia vira neurociência, neurocientistas viram consultores de qualquer assunto e o prefixo neuro- garante mais vendas. Nessa situação, é difícil para o público distinguir o que são reais avanços da neurociência e o que é produto de interesses diversos do de informar o público de maneira adequada. Nesse artigo, esse problema é discutido, com algumas das suas causas e possíveis soluções. Palavras-chave. Neurociência e mídia; percepção pública da neurociência. DOI: 10.7594/revbio.15.01.04

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A construção do cérebro dependente: uma análise da mídia brasileira e da literatura científica sobre adição a tecnologias
Olavo B. Amaral e Lara S. Junqueira

A neurociência é frequentemente usada como um argumento em diversos debates sobre saúde mental, tais como a definição de alguns comportamentos como patológicos. Para compreender como isto ocorre na mídia brasileira, analisamos fatos neurocientíficos mencionados em artigos sobre um diagnóstico ainda controverso, a dependência de jogos eletrônicos e/ou internet. Dos 85 artigos localizados em 7 grandes veículos de imprensa online, 25% faziam alusões à neurociência. A análise de dois fatos frequentemente mencionados (a similaridade das alterações cerebrais observadas nas dependências de tecnologia e drogas e a liberação de dopamina como mediador de recompensa e adição a jogos eletrônicos) demonstra inconsistências entre as afirmações na mídia e a evidência empírica disponível. No entanto, vieses semelhantes foram encontrados na própria literatura científica, sugerindo que interpretações relacionadas à existência de um “cérebro dependente” em adições químicas e comportamentais parecem ser favorecidas tanto entre jornalistas quanto entre cientistas. Palavras-chave. Dependência; jogo eletrônico; internet; neuroimagem; dopamina. DOI: 10.7594/revbio.15.01.05

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Discussão sobre a divulgação da Estimulação Magnética Transcraniana na mídia brasileira
André Salles Cunha Peres

 motivação para escrever esse artigo foi a existência da grande quantidade de reportagens com informações contraditórias, principalmente na área da saúde. Reportagens do tipo, cientistas afirmam que pimentas vermelhas fazem bem para o coração; cardiologistas advertem, pimenta pode ser um veneno para quem tem pressão alta; pimentas o segredo da longevidade, e daí por diante. No caso desses artigos eu não podia opinar mais do que o ceticismo científico e conhecimento leigo me permitiam. Entretanto me ocorreu procurar por artigos de divulgação sobre uma área que tenho experiência profissional, a Estimulação Magnética Transcraniana, também conhecida pela sigla EMT. Não foi surpresa que as reportagens publicadas apresentavam equívocos muito parecidos com àqueles das pimentas. Assim, com o intuito de apimentar um pouco a discussão sobre a divulgação científica, mais especificamente sobre a divulgação da EMT no Brasil, selecionei alguns textos que serão comentados a seguir. Gostaria de salientar que de maneira alguma esse artigo tem a intenção de denegrir a imagem das mídias de divulgação científica, muito pelo contrário, considero de suma importância o papel que as mesmas tem de levar para a população informações que dificilmente chegariam por meio das revistas especializadas. Palavras-chave. Estimulação Magnética Transcraniana; mídia brasileira; divulgação científica. DOI: 10.7594/revbio.15.01.06

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A representação binária do cérebro “feminino” e “masculino” na ciência e nos meios de comunicação
Olga E. Rodríguez-Sierra

Os estudos que investigam se existem diferenças entre o cérebro “masculino” e “feminino” procuram implicitamente naturalizar categorias que não só têm componentes biológicos, mas também componentes culturais e sociais. Assim, observa-se que tanto periódicos científicos como meios de comunicação tendem a relatar com maior frequência aqueles estudos que reafirmam a interpretação binária do sexo / gênero como algo dimórfico, fixo e estático. No entanto, consideradas em conjunto, as evidências são inconsistentes e não revelam grandes diferenças entre os sexos / gêneros. Por isso, recomenda-se incluir no debate público um questionamento das categorias que assumimos como naturais, para assim evitar posições essencialistas e deterministas. Palavras-chave. Sexo; gênero; cérebro; interpretação binária; mídia. DOI: 10.7594/revbio.15.01.07

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Supervalorização de resultados científicos como estratégia ótima para aumentar o número de leitores
Julieta Campi & Joaquin Navajas

A relação entre jornalismo científico e a ciência é uma relação complexa que tem vantagens e desvantagens para cada um dos atores envolvidos. Muitas vezes, os meios de comunicação publicam avanços científicos dando-lhes mais importância do que eles têm na comunidade científica, especialmente quando se trata de avanços na cura de doenças. Neste trabalho, iremos propor  explicações possíveis para este problema, com base no modelo de influência Bayarri & DeGroot (1989). A hipótese principal é que os jornais de menor influência na sociedade tendem a exagerar os resultados científicos, enquanto a maioria dos jornais respeitados são mais céticos e cautelosos para relatar sobre os progressos científicos. Palavras-chave. Jornalismo científico; neurociências; divulgação; exagero; influência. DOI: 10.7594/revbio.15.01.08

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Tomando partido: um caso de influência de ideologia política na divulgação da neurociência
Vinícius Rosa Cota e Renato Marciano Maciel

A ciência como empreitada humana de busca do conhecimento muito se beneficiou não só do estabelecimento do método científico, mas também de sua divulgação para os pares e para o público leigo. No fazer científico, portanto, entra em cena uma série de atores para além do cientista, incluindo o jornalista e outros mais, estando todos eles sujeitos a imprimir, nesse processo, cores de ideologias de toda natureza, inclusive político-partidária. Apesar de que a quantidade e a qualidade dessa influência é discutível, conhecer o fenômeno parece essencial. Neste artigo de opinião, apresentamos os elementos básicos do método científico e da divulgação científica, bem como as relações que política e ciência mantêm, com interesse especial para aquelas que se dão na divulgação científica para o público leigo. Para isso, analisamos com mais detalhes um caso ilustrativo de influência de ideologia político-partidária na divulgação leiga da neurociência: a repercussão na mídia eletrônica da demonstração do exoesqueleto robótico na abertura da Copa do Mundo no Brasil. Concluímos com reflexões sociológicas que situam a questão em análise em uma perspectiva que talvez coopere na importante aproximação entre ciência e jornalismo. Palavras-chave. Ciência, política, partido, ideologia, divulgação neurocientífica, exoesqueleto. DOI: 10.7594/revbio.15.01.09

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