10(2) Biologia de Cavernas

Julho 2013

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Expediente

Consultores científicos: Abel Perez González, Agustin Camacho, Antônio Carlos da Silva, Ariel Rodrigues Cardoso, Flavio A. Bockmann, Janaína Morimoto Meyer, Leopoldo Barleta, Lilian de Oliveira Avelar, Luciane Ayres Peres, Marcelo Arruda Fiuza de Toledo, Marco Antônio Batalha, Mauro Teixeira Jr, Monica T. P. Ragazzo e Ricardo Pinto da Rocha 

Editor científico: Eleonora Trajano

Editores gráficos: Juliana Roscito e Leonardo M. Borges

Coordenadores: Agustín Camacho, Daniela Soltys, Pedro Ribeiro e Rodrigo Pavão

Artigos

Editorial
Eleonora Trajano

Neste volume especial da Revista da Biologia, reunimos artigos originais e revisões voltadas ao conhecimento dos ecossistemas subterrâneos brasileiros, com ênfase nas cavernas, que são os componentes do meio hipógeo diretamente acessíveis aos humanos. O estudo desses ecossistemas singulares tem relevância não apenas acadêmica, na ciência básica, como aplicada, na área de conservação. Habitats subterrâneos são particularmente frágeis em virtude da dependência de recursos do meio epígeo (superficial), alto grau de fragmentação e freqüente ocorrência de espécies endêmicas – os troglóbios –, usualmente raras devido à restrição geográfica e densidades populacionais em geral baixas, e altamente vulneráveis a perturbações. Além de proporcionarem excelentes modelos para a investigação de fenômenos biológicos gerais, comunidades subterrâneas tem uma grande valor intrínseco por sua singularidade. Apoiado em conceitos logicamente inconsistentes e metodologia falha nos princípios científicos mais básicos, o Decreto 6640, de 2008, abriu brechas para a destruição de cavernas. Como conseqüência da inadequação das políticas ambientais brasileiras, ecossistemas inteiros encontram-se a beira de destruição, por afogamento e outras perturbações causadas pela construção de hidrelétricas – sendo Belo Monte, que inundará áreas cársticas inteiras, o caso recente mais eloqüente –, mineração, principalmente de ferro (atualmente a maior pressão sobre áreas com cavernas) e calcário, desenvolvimento urbano descontrolado, com uso não planejado de águas subterrâneas etc. Mais um resultado de pressões econômicas predatórias, o Decreto ...

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Variações anuais e infra-anuais em ecossistemas subterrâneos: implicações para estudos ambientais e preservação de cavernas
Eleonora Trajano

São analisados resultados de estudos de médio de longo prazo e observações ao longo de anos, demonstrando variações anuais, sazonais e infra-anuais (períodos superiores a um ano), em ecossistemas cavernícolas brasileiros. São abordadas comunidades de morcegos e de invertebrados em diferentes áreas cársticas brasileiras, com ênfase no Alto Ribeira (SE Brasil). Para descrição da diversidade taxonômica das comunidades subterrâneas e compreensão do funcionamento desses ecossistemas singulares, é necessário esforço amostral compatível com seu dinamismo, testado quanto à sua suficiência, sobretudo quando o objetivo é classificar cavernas em graus de relevância. A inadequação da atual política de proteção ao patrimônio espeleológico brasileiro, recentemente flexibilizada pelo Decreto 6640/2008 e correspondente IN MMM 2/2009, é discutida com foco nas suas evidentes falhas conceituais e metodológicas, propondo-se sua total revisão. Palavras-chave. Ecossistemas subterrâneos, variações anuais e infra-anuais, protocolos de estudos ambientais.DOI: 10.7594/revbio.10.02.01

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Avaliação in situ do aporte de alimento nas diferentes zonas de uma caverna: estudo de caso e recomendações metodológicas
Pavel Dodonov, Juliana Ribeirão de Freitas, Rogerio Franco Flores Tezori e Maria Elina Bichuette

Devido à ausência de luz, ambientes cavernícolas são desprovidos de organismos fotossintetizantes,e dependem do aporte de alimento a partir do meio epígeo. Nós comparamos a quantidade de alimento disponível nas diferentes zonas de duas cavernas na região da Serra da Canastra, MG. A quantidade de detritos vegetais era máxima na zona de entrada, intermediária na zona de penumbra, e mínima na zona afótica. O guano esteve praticamente ausente na zona de entrada, mas sem apresentar padrões claros entre as zonas de penumbra e afótica. Assim, os detritos vegetais parecem ser mais importantes na zona de entrada, e o guano em zonas mais profundas. Concluímos o artigo com algumas recomendações metodológicas relacionadas à quantificação do aporte e à inferência estatística.
Palavras-chave. Guano; Detritos vegetais; Raízes; Meio subterrâneo.DOI: 10.7594/revbio.10.02.02

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Ictiofauna da área cárstica de Presidente Olegário, estado de Minas Gerais, com ênfase nas espécies subterrâneas
Sandro Secutti e Maria Elina Bichuette

 A ictiofauna subterrânea da área cárstica de Presidente Olegário, centro-norte de Minas Gerais, foi inventariada em vários ocasiões de visita (dois riachos epígeos e três cavernas), mostrando uma riqueza relativamente elevada para a área amostrada (cerca de 1,5 km2): 12 espécies registradas, distribuídas nas ordens Characiformes, Siluriformes e Cyprinodontiformes. Duas espécies não-troglo¬mórficas foram registradas coabitando riachos subterrâneos, o bagrinho Trichomycterus brasiliensis e o cascudinho Parotocinclus sp., a primeira também ocorrendo em tributário vadoso superior na caverna Vereda da Palha. A ocorrência de indivíduos de diferentes faixas de tamanho corpóreo/etárias indica que este peixes estão completando seus ciclos de vida no meio hipógeo, e, são possivelmente troglófilos (espécies capazes de viver e completar seus ciclo de vida tanto no ambiente epígeo quanto no subterrâneo). Ainda, em Parotocinclus sp. foi registrada variabilidade populacional quanto à pigmentação melânica cutânea, o que pode representar uma fase inicial do processo de isolamento e diferenciação no ambiente subterrâneo. Palavras-chave. Biodiversidade; Cavernas; Peixes de água doce; Troglófilos.DOI: 10.7594/revbio.10.02.03

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Distribuição, riqueza e conservação dos peixes troglóbios da serra da bodoquena, MS (teleostei: siluriformes)
Lívia Medeiros Cordeiro, Rodrigo Borghezan e Eleonora Trajano

Na área cárstica da Serra da Bodoquena ocorrem cavernas inundadas e submersas, além de
cavernas secas, que abrigam uma fauna troglóbia importante. Cinco espécies de siluriformes troglóbios
são atualmente conhecidas nesta região: Ancistrus formoso (Loricariidae), Trichomycterus dali (Trichomycteridae) e três espécies ainda não descritas, Ancistrus sp. (Loricariidae), Rhamdia sp. (Heptapteridae) e Trichomycterus cf. dali. Considerando que a compreensão dos padrões ecológicos, biológicos e biogeográficos é necessária para a elaboração de ações eficazes para a preservação dos ecossitemas subterrâneos, são apresentados os resultados parciais do estudo de populações das três espécies não descritas. A ampliação das áreas de preservação a fim de abrangerem todas as áreas de ocorrência dos peixes troglóbios na Serra da Bodoquena é sugerida. Palavras-chave. Ictiofauna; Água subterrânea; Monitoramento; Populações; Conservação.DOI: 10.7594/revbio.10.02.04

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A expressão do comportamento agonístico em Ituglanis ramiroi Bichuette & Trajano 2004 (siluriformes: trichomycteridae) e sua aplicação para conservação
Diego Monteiro Neto e Maria Elina Bichuette

Ituglanis ramiroi ocorre em ambientes específicos na Caverna São Bernardo, localizado no Parque Estadual de Terra Ronca, nordeste de Goiás, em aqüíferos superiores alimentados por água de infiltração na rocha. A espécie foi estudada previamente em relação à reação à luz; ao comportamento espontâneo; ao comportamento alimentar; e à ritimicidade locomotora, com evidências de especializações nestes. No presente trabalho apresentamos a descrição do comportamento agonístico nessa espécie. Verificamos que o componente comportamental agonístico expressou-se fracamente nos indivíduos testados, podendo representar uma regressão de caráter, portanto uma especialização. Comportamentos especializados, recorrentes em espécies troglóbias sugerem histórias evolutivas únicas, o que deve ser considerado para fins de conservação. Palavras-chave. Brasil; Epicarste; Peixes subterrâneos; Regressão de caracteres; Troglóbio.DOI: 10.7594/revbio.10.02.05

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Dinâmica populacional do bagre cego de Iporanga, Pimelodella kronei: 70 anos de estudo
Ana Luiza Feigol Guil e Eleonora Trajano

O bagre cego de Iporanga, Pimelodella kronei, do Alto Ribeira - SP, foi o primeiro peixe troglóbio descoberto no Brasil e um dos mais estudados. Esses bagres foram excessivamente coletados na década de 1970 e, por isso, houve um declínio populacional detectado por Trajano 10 anos mais tarde. O presente estudo aborda a dinâmica populacional de P. kronei nas cavernas Areias de Cima e de Baixo, com foco nos deslocamentos no habitat, crescimento individual, fator de condição, e distribuições das freqüências de comprimento-padrão e fator de condição. Para tal, a população foi acompanhada entre outubro/2008 e maio/2010, através de marcação e recaptura, comparando-se aos resultados de Pavan
(1945) e Trajano (1987). Este é o primeiro monitoramento de longo termo para peixes cavernícolas brasileiros. Palavras-chave. Peixes cavernícolas; Ecologia populacional; Monitoramento; Pimelodella kronei, Brasil.DOI: 10.7594/revbio.10.02.06

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Ecologia populacional e conservação de eglídeos (crustacea: decapoda: aeglidae) em cavernas da área cárstica do Alto Ribeira, em São paulo.
Kate P. Maia, Sérgio L.S. Bueno e Eleonora Trajano

Investigações de campo realizadas em 2009 objetivaram a determinação do tamanho populacional de três espécies troglóbias (Aegla microphthalma da Caverna Santana, A. cavernicola da Caverna Areias de Baixo e A. leptochela da Gruta dos Paiva) e uma troglófila (A. marginata de duas localidades: Gruta dos Paiva e Gruta Barra Bonita) de eglídeos da região cárstica do Alto Ribeira, por meio das técnicas de censo visual (todas as cavernas) e marcação-e-recaptura (apenas na Gruta dos Paiva). Os resultados foram comparados com dados populacionais anteriores obtidos em 1994 para as mesmas espécies e localidades. Aegla marginata não mais foi encontrada na Gruta Barra Bonita e nenhum exemplar de A. microphthalma foi tampouco avistado na Caverna Santana. Apenas treze exemplares de A. cavernicola foram observados na Caverna Areias de Baixo. Apenas na Gruta dos Paiva foi coletado número suficiente de indivíduos das espécies sintópicas, A. leptochela e A. marginata, que permitisse estimar o tamanho da população destes eglídeos. Os valores obtidos indicam que houve um drástico declínio populacional destas espécies no interior da caverna em comparação com dados pretéritos. Palavras-chave. Aegla; Troglóbios; Ecologia populacional; Marcação e recaptura; Conservação.DOI: 10.7594/revbio.10.02.07

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Morfologia e ecologia sensorial em aracnídeos troglóbios: perspectivas para a espeleobiologia brasileira
Rodrigo Hirata Willemart e Bruna Gomes Taques

Neste texto nós discutimos as relações existentes entre a ecologia sensorial e o estudo de aracnídeos cavernícolas. Como a ecologia e comportamento de determinada espécie depende diretamente dos estímulos do ambiente aos quais ela responde e por sua vez isso depende das estruturas sensoriais que ela possui, é fundamental entender aspectos morfológicos dos animais. Ressaltamos, então, alguns dos troglomorfismos conhecidos no grupo e discutimos questões interessantes a serem investigadas. Trabalhos sobre comportamento de aracnídeos troglóbios podem ser mais difíceis de realizar devido a sua baixa abundância, enquanto estudos morfológicos tipicamente apresentam menos obstáculos. Deve-se levar em conta também que as teorias da seleção natural e sexual podem gerar previsões distintas sobre diferenças entre epígeos e troglóbios próximos filogeneticamente, o que traz importantes implicações sobre a compreensão da ecologia sensorial de determinada espécie. Os vários levantamentos de fauna cavernícola feitos no Brasil, combinados com a literatura elencada neste trabalho, auxiliam os interessados em iniciar projetos nesta área. Palavras-chave. Arachnida; Espeleobiologia; Estruturas sensoriais; Mecanorrecepção; Quimiorrecepção.DOI: 10.7594/revbio.10.02.08

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