A construção do cérebro dependente: uma análise da mídia brasileira e da literatura científica sobre adição a tecnologias

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Autor / Author

Olavo B. Amaral e Lara S. Junqueira

Resumo

A neurociência é frequentemente usada como um argumento em diversos debates sobre saúde mental, tais como a definição de alguns comportamentos como patológicos. Para compreender como isto ocorre na mídia brasileira, analisamos fatos neurocientíficos mencionados em artigos sobre um diagnóstico ainda controverso, a dependência de jogos eletrônicos e/ou internet. Dos 85 artigos localizados em 7 grandes veículos de imprensa online, 25% faziam alusões à neurociência. A análise de dois fatos frequentemente mencionados (a similaridade das alterações cerebrais observadas nas dependências de tecnologia e drogas e a liberação de dopamina como mediador de recompensa e adição a jogos eletrônicos) demonstra inconsistências entre as afirmações na mídia e a evidência empírica disponível. No entanto, vieses semelhantes foram encontrados na própria literatura científica, sugerindo que interpretações relacionadas à existência de um “cérebro dependente” em adições químicas e comportamentais parecem ser favorecidas tanto entre jornalistas quanto entre cientistas. Palavras-chave. Dependência; jogo eletrônico; internet; neuroimagem; dopamina. DOI: 10.7594/revbio.15.01.05

Title

Constructing the dependent brain: an analysis of the Brazilian media and of the scientific literature on technology addiction

Abstract

Neuroscience is frequently used as an argument in various debates on mental health, such as the definition of some behaviors as pathological. To understand how this happens in the Brazilian media, we analyzed neuroscientific facts mentioned in articles about a controversial diagnosis: internet and or/video gaming addiction. Of 85 articles located in web searches of seven major press vehicles, 25% made allusions to neuroscience. The analysis of two frequently mentioned facts (the similarity between cerebral alterations observed in drug and technology addictions and the release of dopamine as a mediator of reward and addiction to video games) showed inconsistencies between media claims and the available empirical evidence. However, similar biases were already observable in the scientific literature itself, suggesting that the theory of a “dependent brain” in behavioral and chemical addictions seems to be favored by both journalists and scientists. Keywords. Addiction; video game; internet; neuroimaging; dopamine.

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Comentários

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