Moneras e individualidade biológica: alguns elementos do conceito de monera de Ernst Haeckel

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Autor / Author

Guilherme Francisco Santos

Resumo

Ernst Haeckel formulou e desenvolveu uma proposta de morfologia evolucionista na qual ocupa um lugar central o conceito de monera. As moneras são para ele os organismos mais simples e primitivos, a partir dos quais é possível investigar a passagem do inorgânico ao orgânico, as bases iniciais para toda a evolução e desenvolvimento dos seres vivos e o aparecimento da individualidade orgânica. Apresentamos neste artigo alguns dos elementos centrais do conceito de monera de Haeckel e algumas questões relativas à sua noção de individualidade sob a luz dos seus estudos sobre moneras. Palavras-chave. Moneras, Ernst Haeckel, morfologia evolutiva, geração espontânea, individualidade orgânica. DOI: 10.7594/revbio.09.02.04

Title

Moneras and biological individuality: some elements of the concept of monera of Ernst Haeckel

Abstract

Ernst Haeckel formulated and developed a proposal for the evolutionary morphology in which the concept of monera occupies a central place. The moneras are to him the simplest and most primitive organisms, from which it is possible to investigate the transition from inorganic to the organic, the initial basis for the whole evolution and development of living beings and the emergence of organic individuality. In this paper are presented some of the central elements of the Haeckel’s concept of monera and some issues relating to his concept of organic individuality in the light of his studies of moneras. Keywords. Moneras, Ernst Haeckel, evolutionary morphology, spontaneous generation, organic individuality. DOI: 10.7594/revbio.09.02.04

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Comentários

O conceito de 'monera' em Haeckel (1834-1919) está alinhado com seu suposto equivalente 'mônada' em Leibniz (1646-1716). Há pontos de contato (e, também, de afastamento) entre ambos os termos em suas acepções (almas, átomos ou, mais precisamente, enteléquias). Leibniz viveu duzentos anos antes de Haeckel e creio que o artigo deveria traçar algum paralelo a esse respeito. Deixo-lhe aqui uma sugestão para epígrafe ao seu texto. A primeira estrofe de Monólogo de uma sombra, de Augusto dos Anjos: "Sou uma sombra! Venho de outras eras,/ Do cosmopolitismo das moneras.../ Pólipo de recônditas reentrâncias,/ Larva de cáos telúrico, procedo/ Da escuridão do cósmico segredo,/ Da substância de todas as substâncias!

Por curiosidade, Haeckel também tem Augusto no nome, assim como Leibniz tem, como você, o nome de Wilhelm, equivalente a Guilherme na língua portuguesa. Votos de sucesso.

Caro António Botêlho,

Numa revisita a esse espaço da Revista da Biologia por ocasião do final do ano topei finalmente com este teu comentário. Fico feliz por tua leitura atenta do artigo. Fico especialmente grato pelas tuas observações, comentários e sugestões. Trabalho no momento justamente sobre essa comunidade conceitual que envolve (dentre outras) as noções de monera e mônada. Obrigado também pelos votos de sucesso e pelo belo texto de Augusto dos Anjos!

Um abraço,

Guilherme Francisco

tengo que ganarme las entradas porque son para mi hija y su amiga , por favor lo mejor ULTRA CHILEEEE ♥♥

Obrigado pelo estudo. Tornou mais claro o seguinte poema de Antero de Quental:

 

Deus

Quem, senão Deus, criou obra tamanha,

O espaço e o tempo, as amplidões e as eras,

Onde se agitam turbilhões de esferas,

Que a luz, a excelsa luz, aquece e banha?

Quem, senão ELE, fez a esfinge estranha

No segredo inviolável das moneras,

No coração dos homens e das feras,

No coração do mar e da montanha?!

Deus!... somente o Eterno, o Impenetrável,

Poderia criar o imensurável

E o Universo infinito criaria!...

Suprema paz, intérmina piedade,

E que habita na eterna claridade

Das torrentes da Luz e Harmonia!

 

(Psicografia de Chico Xavier, no livro Parnaso de além-túmulo, FEB, 2006, p. 90)

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