RIOS PRÉ-AMAZÔNICOS (ESTADO DO MARANHÃO, BRASIL)

LOCAL DE ESTUDO

            Situado na Região Nordeste a rede hidrográfica do Estado do Maranhão é formada por rios caudalosos, típicos de planície, caracterizados por baixo declive nos trechos médio e baixo, alguns bastante meândricos, correndo em direção sul-norte (Sematur, 1991). Mesmo com substancial parcela da área do estado pertencente a Amazônia Legal (Costa, 1982), a maioria dos estudos referentes aos seus ecossistemas aquáticos foram desenvolvidos nos lagos, várzeas e afluentes do rio Amazonas, sendo poucas as informação disponíveis para este estado (Barbieri et al., 1989; Sematur, 1991; Aranha et al., 1997).

A região não apresenta o marcante déficit hídrico característico dos demais estados nordestinos. Segundo a classificação de Köppen, no Maranhão o clima é do tipo Aw, clima tropical caracterizado por temperatura média sempre superior a 180 C, e duas estações climatológicas bem marcadas, uma seca (estiagem), de junho a outubro, e outra chuvosa, de janeiro a abril (Fig. 1), com elevação do nível da água e transbordamento dos rios (Leite, 1976).

O rio Pindaré nasce na serra do Gurupí, tem cerca de 720 km e desemboca no rio Mearim, antes da baía de São Marcos (Fig. 2). Possui uma área de 34.030 km2 (Sematur, 1991). Dentre os diversos rios maranhenses, destaca-se como o mais piscoso e de importância para a navegação, contribuindo no abastecimento de água das cidades ribeirinhas (Leite, 1976).

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Figura 1: Precipitação pluviométrica nos postos de observações climatológicas nas cidades de Bacabal, Pindaré-Mirim e Itapecuru-Mirim, MA, Brasil. Fonte: Brasil (1990).

 

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Figura 2: Localização dos pontos de coletas nas bacias hidrográficas dos rios Pindaré (1), Mearim (2) e Itapecuru (3), MA, Brasil. Localidade: I - Porto dos Índios, II - Arari, III - Itapecuru.

 

            O rio Mearim é denominado de “Izu” (rio de águas pardacentas), devido a grande quantidade de seston. Possui aproximadamente 1.150 km e, juntamente com o rio Pindaré, têm uma bacia hidrográfica da ordem de 97.000 km2. Face às características topográficas do Mearim, apresenta o fenômeno da pororoca e as marés chegam a atingir até 170 km da foz que, associadas ao aumento de precipitação no interior do Estado, ocasionam as cheias (Sematur, 1991).

O rio Itapecuru nasce nas fronteiras dos municípios de Mirador, Grajaú e São Raimundo das Mangabeiras na encosta setentrional do sistema formado pelas serras das Croeiras, Itapecuru e Alpercatas a cerca de 500 m de altitude, desaguando no Oceano Atlântico na baía de São José, ao leste da ilha de São Luís, após percorrer 1.450 km. A bacia do rio Itapecuru estende-se ao leste do Maranhão, com cerca de 52.700 km2 (Sematur, 1991).

Estes três rios destacam-se por terem suas bacias hidrográficas inteiramente dentro do Estado. Juntas, relativo à montante dos pontos de coletas deste trabalho, compreendem cerca de 43% da área total do Estado, sendo que a bacia do rio Pindaré representa 11%, a do Mearim 17% e a do Itapecuru 15%, o que demonstra sua importância para a região (Fig. 2). Em conjunto com o rio Grajaú (afluente do rio Mearim), são os principais responsáveis pela drenagem da bacia do Atlântico nordeste (Cunha & Guerra, 1998).

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