FÓSFORO NAS FRAÇÕES DA MACRÓFITA AQUÁTICA FLUTUANTE Eichhornia crassipes |
Marcelo Pompêo & Viviane Moschini Carlos
USP, Instituto de Biociências, Depto de
Ecologia, R. do Matão, Travessa 14, 321, Butantã, São Paulo,
SP, Brasil, vivimarc@uol.com.br
INTRODUÇÃO
As
macrófitas aquáticas são importantes produtores primários nos
ecossistemas aquáticos continentais. Podem representar cerca de
90% da produtividade primária total do sistema. Mesmo em pequena
biomassa, são observadas na quase totalidade dos corpos de água
doce, principalmente nas margens e nas áreas mais rasas de rios,
lagos e reservatórios e em cachoeiras e fitotelmos (Wetzel,
1981; Esteves, 1988). Em lagos com zona fótica atingindo elevada
profundidade as macrófitas aquáticas submersas podem se
desenvolver em grandes bancos a mais de 10 m de profundidade
(Dale, 1984).
Nos
corpos de água doce pode ser observada uma zonação com
diferentes grupos de macrófitas aquáticas partindo da margem em
direção a região de águas abertas, também chamada de zona
limnética. Nessa região, diversos grupos de macrófitas
aquáticas são reconhecidos, tais como (Esteves, 1988):
Na Figura 1 é apresentado a zonação das macrófitas aquáticas na margem da lagoa do Infernão (Luis Antônio, SP).
Figura 1: Zonação de macrófitas aquáticas na Lagoa do Infernão, Luiz Antônio, SP.
Do
ponto de vista taxonômico, são reconhecidas 42 famílias de
dicotiledôneas, 30 de monocotiledôneas, 17 de briófitas e 6 de
pteridófitas com representantes de plantas aquáticas (Esteves,
1988; Pérez, 1992).
Algumas
espécies de macrófitas aquáticas possuem sofisticado sistema
de polinização cruzada, a heterostilia. Pontederiaceae é a
única família de monocotiledôneas tristílicas, representadas
pelos gêneros Eichhornia e Pontederia. Plantas
heterostílicas são compostas de flores de diferentes morfas,
que diferem nos comprimentos do estigma, estames, tamanho do
pólen, com sistema de auto-incompatibilidade. A polinização
legítima nas espécies tristílicas (com três morfas) ocorre
somente quando flores com estigma longo, médio ou curto recebem
pólen compatível, respectivamente, das anteras longas, médias
ou curtas. Polinizadores especializados, como a abelha solitária
Ancyloscelis gigas, com longa probóscide coberta de cerdas
com ganchos, conseguem atingir os diferentes níveis de anteras
das folhas tristílicas da E. azurea e efetuar a
polinização legítima (Santos, 1999).
Há
também espécies carnívoras. No Brasil são encontradas cerca
de 50 espécies de Utricularia que, devido a suas bolsas
(utrículos), permitem a captura de pequenos animais, algas e
detritos e podendo ser consideradas potencialmente importantes no
controle das populações zooplanctônicas (Fromm-Trinta, 1985;
Pompêo & Bertuga, 1996; Pompêo & Moschini-Carlos,
1997a, b; Richards, 2001).
Outras informações sobre plantas aquáticas podem ser obtidas no link As macrófitas aquáticas.