FÓSFORO NAS FRAÇÕES DA MACRÓFITA AQUÁTICA FLUTUANTE Eichhornia crassipes

 

Marcelo Pompêo & Viviane Moschini Carlos

USP, Instituto de Biociências, Depto de Ecologia, R. do Matão, Travessa 14, 321, Butantã, São Paulo, SP, Brasil, vivimarc@uol.com.br.

 

 

TEORES DE FÓSFORO

Para a determinação do teor de fósforo nas frações da macrófita aquática E. crassipes (Lago das Garças, Parque Estadual das Fontes do Ipiranga - PEFI, São Paulo, SP, Brasil) foram coletadas amostras dessa planta em dois pontos do reservatório: a) o ponto próximo à entrada do canal que corta a Fundação Parque Zoológico de São Paulo e b) o ponto mais próximo a entrada do Instituto de Botânica região controle (Figura 2).

 

Os dados apresentados nesta página refletem três períodos de amostragem, a saber: novembro de 1999 e janeiro e março de 2000. Para cada estação foram coletadas 3 unidades amostrais, removidas com auxílio de tesouras de jardinagem e armazenadas em sacos plásticos.

 

No laboratório a planta foi dividida em frações lâmina, pecíolo, detrito e raiz. A fração lâmina é constituída de material vegetal fotossinteticamente ativo presente acima da água; o pecíolo é a fração que sustenta a lâmina assim definida; a fração raiz é composta pelas raízes flutuantes e submersas; e o detrito é composto de material vegetal morto, seja este lâmina, pecíolo ou raiz, de maneira geral a lâmina e o pecíolo são seus principais constituintes. Todo material vegetal foi triado com auxílio de bandejas, peneira e tesouras de jardinagem, posteriormente foi lavado com água corrente em abundância, particularmente a fração raiz. Foram secos a 65 0C por 96 horas em estufa de secagem com troca de ar forçado e pesados em balança digital com precisão de duas casas decimais. Posteriormente, todo material vegetal seco foi triturado em moinho e o teor de fósforo determinado segundo Andersen (1973) e Strickland & Parsons (1965), como descrito em Pompêo & Moschini-Carlos (2003).

 

 

 

Local de estudp

 

Figura 2: Lago das Garças com a localização dos estandes de E. crassipes amostrados.

 

 

Com base no peso seco, a amplitude de variação nos teores de fósforo nas frações de E. crassipes pode ser observado na Tabela 1, relativo à área na Tabela 2.

 

O maior teor de fósforo na fração raiz poder ser atribuído a: a) ao maior teor de fósforo presente nessa peso seco (mgP/gPS); b) mesmo tomando cuidado para completa lavagem da fração raiz a remoção do material aderido não é completa (material orgânico vivo ou morto e inorgânico - perifíton), podendo mascarar o teor de fósforo do tecido vegetal propriamente dito.

 

Relativo à biomassa média de um indivíduo de E. crassipes, pode-se verificar que a lâmina representa cerca de 13%, o pecíolo cerca de 46%, a raiz cerca de 20% e o detrito 21% do peso seco total do indivíduo (Figura 3). Para o teor de fósforo a relação não é tão clara, com valores mais discrepantes para as frações pecíolo, detrito e raiz.

 

 

Tabela 1: Amplitude de variação do teor de fósforo nas frações E. crassipes (mgP/gPS).
Em parêntesis o mês de observação do valor anotado.

 

  Controle

Zoológico

Fração Mínimo

Máximo

Mínimo

Máximo

Lâmina 0,96 (nov/00)

2,69 (jan/99)

1,52 (nov/99)

6,50 (nov/99)

Pecíolo 0,50 (jan/00)

1,38 (nov/99)

0,65 (mar/00)

6,85 (nov/99)

Detrito 0,60 (mar/00)

1,62 (nov/99)

0,94 (mar/00)

2,38 (nov/99)

Raiz 1,21 (mar/00)

3,16 (jan/00)

1,76 (mar/00)

4,66 (nov/99)

 

 

 

Tabela 2: Amplitude de variação do estoque de fósforo nas frações de E. crassipes (mgP/m2).
Em parêntesis o mês de observação do valor anotado.

 

 

 

Controle

Zoológico

Fração Mínimo

Máximo

Mínimo

Máximo

Lâmina 10,43 (nov/00)

76,16 (jan/99)

12,43 (nov/99)

58,89 (jan/00)

Pecíolo 54,37 (nov/99)

191,13 (jan/00)

22,83 (nov/99)

163,18 (mar/00)

Detrito 22,95 (jan/00)

112,27 (mar/00)

18,84 (jan/00)

100,27 (mar/00)

Raiz 13,15 (mar/00)

89,85 (jan/00)

12,52 (nov/99)

105,83 (nov/99)

 

 

 

 

           

 

 

 

Fosforo nas frações

 

Figura 3: Participação percentual do peso seco (PS) e teor de fósforo (P) nas frações de um indivíduo de E. crassipes na região controle e zoológico (Lago das Garças, PEFI, São Paulo, SP, Brasil). Valores médios para o meses de nov/99, jan/00 e mar/00.

 

 

 

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