O
Brasil dos anos 30 se mantinha no regime de faculdades isoladas e
achava-se defasado em relação a algumas nações latino-americanas,
muitas das quais já tinham suas universidades. Era urgente a
criação de uma instituição de ensino superior
visualizada em moldes inteiramente renovadores que incluísse
unidades destinadas a desenvolver estudos em oposição às
existentes.
Uma
Universidade em que, ao lado das existentes faculdades oficiais isoladas,
fossem
criadas outras unidades de ensino que se ocupassem
da produção
do saber e da pesquisa acadêmica, que propiciasse a oportunidade
para o estudo em nível superior e formação,
não
nas modalidades profissionalizantes de então, mas em modalidades
de cunho acentuadamente acadêmico.
Esses
foram alguns dos fatores que levaram um grupo de intelectuais da
capital
(Julio de Mesquita Filho, Almeida Junior, Fernando de Azevedo,
Paulo Duarte, A. Dreyfus e outros, com o apoio do Governador
Armando de Salles Oliveira),
a criar, em 1934, a Universidade de São Paulo, não
apenas como uma aglutinação de faculdades preexistentes,
mas incluindo a criação de uma Faculdade de Filosofia,
Ciências e Letras que viria renovar todo o ensino superior
do país.
Uma
Faculdade já pensada em 1930, numa reunião no Instituto
Histórico e Geográfico, quando um grupo de intelectuais
paulistas criou a Sociedade de Philosophia e Letras de São
Paulo. Nessa ocasião o Presidente da Sociedade, Prof.
Ernesto de Souza Campos, insistia sobre a urgência da
criação em São
Paulo, de uma Faculdade de Philosophia e Letras, condição
essencial para a formação de professores o que
viria resultar numa melhoria da qualidade do ensino no magistério
secundário.
Como
parte de seus trabalhos, a Sociedade elaborou um projeto para a futura
Faculdade
que finalmente foi criada, em 1934, juntamente
com a Universidade
de São Paulo.
Fragmento
do Decreto (Decreto Estadual n. 6.283, de 25 de janeiro de 1934):
"O
Governador do Estado de São Paulo, Dr. Armando de Salles
Oliveira, através do Decreto Estadual 6.283 de 25 de janeiro
de 1934, fundou a Universidade de São Paulo reunindo escolas
preexistentes acrescidas de duas Faculdades remodeladas e criando
uma Faculdade nova, com secções numerosas e variadas.
Artigo 6º - Foi criada a Faculdade de Filosofia, Ciências
e Letras constituída por três secções: Filosofia,
Ciências e Letras.
No artigo 8º do referido Decreto, a Secção de Ciências
compreendia as seguintes subsecções: Ciências Matemáticas,
Ciências Físicas, Ciências Químicas, Ciências
Naturais, Geografia e História, Ciências Sociais e Políticas.
A subsecção de Ciências Naturais era constituída
das seguintes cadeiras: Mineralogia e Geologia, Botânica Geral,
Fisiologia Vegetal, Zoologia Geral, Fisiologia Geral e Animal e Biologia
Geral.
O
artigo 10º determina que o curso para licença cultural
será seriado e de três anos, em cada uma das secções
e subsecções abrangendo todas as matérias
da respectiva secção e outras afins ou fundamentais.”
O primeiro Diretor
da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras
foi o Prof. Theodoro Augusto Ramos, matemático da Escola Politécnica,
homem encarregado de viajar para a Europa nas chamadas Missões
Francesa e Italiana e trazer para a Universidade de São Paulo
os professores estrangeiros para instalação dos cursos.
As
cadeiras fundamentais de Botânica Geral (Fisiologia Vegetal),
Zoologia Geral (Fisiologia Geral e Animal) e Biologia Geral que constituíam
a Subsecção de Ciências Naturais da Secção
de Ciências da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras,
são as raízes dos Departamentos que hoje integram o Instituto
de Biociências da USP.