Rawitscher, F.K. Algumas noções sobre a vegetação do litoral brasileiro. Boletim da Associação dos geógrafos brasileiros ano 4, n. 5, p. 13-28, 1944.
Resumo: Natalia Pirani Ghilardi
Observações: Flávio A.S.Berchez e Elda Simone Berbet

{Provavelmente o primeiro trabalho que aborda aspectos ecológicos de nossos costões rochosos - Flávio}
O autor reúne no texto informações referentes a mais de dez anos de observações no Rio de Janeiro e em Santos.
O litoral é dividido de acordo com suas características geomorfológicas, as quais são grandemente afetadas pela ação da águas e dos ventos. As áreas com maior exposição à ação do mar são compostas de rochas desnudas e blocos soltos, enquanto as áreas com águas calmas apresentam sedimentos finos (locais mais profundos e enseadas), havendo um gradiente entre estes dois extremos. Dessa forma, podem ser encontradas três formações de litoral de acordo com a topografia e vegetação: 1) litoral rochoso (apenas este será considerado neste resumo porque está relacionado com nossa linha de pesquisa); 2) litoral arenoso e 3) litoral limoso.

Litoral rochoso
Zona inferior (sublitoral) – prevalecem as Phaeophyceae e Rhodophyceae, além de algumas Chlorophyceae
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Sargassum cymosum C. Ag. – espécie dominante, serve de substrato a várias espécies de algas e animais , principalmente briozoários 
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Caulerpa racemosa var. uvifera (Turn.) Weber v. Bosse– também encontrada em fundo arenoso
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Codium decorticatum (Wood) Howe – também encontrado em fundo arenoso
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Laurencia sp. – também encontrada em fundo arenoso
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Dasycladus sp.
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Dictyosphaeria sp.
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Halimeda sp.
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Platoma sp.
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Gracilaria sp.
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Bryopsis sp.
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Dictyota sp.
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Zonaria sp.
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Gelidium sp.
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Rhodophyllis sp.
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Plocamium sp.
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Callophyllis sp.
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Nitophyllum sp.
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Halymenia sp.
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Sporochnus sp.   

Zona das marés – transição para esta zona é paulatina e imperceptível {Prefere o termo "zona das marés" a "litoral" - Flávio}

-     Colpomenia sinuosa (Roth.) D. e S.
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Padina Vickersiae Houyt.
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Padina gymnospora (Kg.) Vickers e outras
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Corallina officinalis L.
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Corallina cubensis (Mont.) Kg. emend. Borg.
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Neurocarpus (Justii? = Dictyopteris Justii Lamx.)
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Ectocarpus sp.
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Bangia sp.
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Porphyra sp.
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Bostrychia sp.
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Polysiphonia sp.
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Ceramium sp.

{Também nesta zona há formas e associações que preferem a parte mais baixa, sendo que outras se contentam com uma duração cada vez menor do tempo em que estão imersas - Elda}

Zona superior da zona das marés
{Parece que Chaetomorpha depende muito de respingos, sendo encontradas nas partes mais expostas e batidas pelas ondas. Mas a associação deste grupo se compõe de algas que toleram períodos longos de seca, sendo que nem todas tem proteção como a Bangia (estudo de fisiologia)- Elda}

-  Chaetomorpha media   (C. Ag.) Kg.
-     Chaetomorpha linum fa. aerea (Dillw.) Coll. – locais batidos, recebe respingos
-     Ulva lactuca várias formas
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Ulva fasciata Delile
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Enteromorpha compressa (L.) Grev.
-     Enteromorpha linza (L.) J. Ag.
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Bangia sp.
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Porphyra sp.

Supralitoral – líquens

{Algumas diferenças do trabalho de Oliveira (1947) na Baia de Guanabara, que é apenas um pouco mais recente: 1) Só se refere à vegetação, não incluindo animais, apesar do propósito ecológico; 2) Embora em muitos casos restrita a nível de gênero, a terminologia e a organização em um padrão científico é bem melhor em Rawitscher (1944) - Flávio}