"Princípios e Técnicas de Caminhada Como Educação Ambiental"       

 

  

Textos de apoio ao ensino

 

Nutrição
Patricia Sakai
Centro de Praticas Esportivas da USP

 

         A  alimentação é um tema  importante a ser levado em consideração no planejamento das caminhadas,  uma vez que,  o ato de caminhar por trilhas pode  consumir grande quantidade de energia. O consumo de energia vai depender do tipo de trilha e do metabolismo do indivíduo que a pratica. Quando caminhamos com sobrecarga, isto é, com uma mochila pesada nas costas, o exercício realizado pode ser considerado de média a alta intensidade e de longa duração (trilhas com pernoite).

A alimentação para este tipo de atividade deve ter uma composição balanceada, levando em conta sua praticidade e volume, devido ao espaço e peso da mochila utilizada. Na composição dos alimentos devem predominar os carboidratos ( ex: massas, arroz, batatas e açúcares) que fornecem a maior parte das calorias consumidas a curto prazo pelo organismo,  completados com as gorduras e proteínas ( ex: carnes secas, amendoim, salame, queijos curados) que  são alimentos eficientes por armazenarem grande quantidade de energia, sendo liberada a longo prazo pelo organismo. Os alimentos não energéticos ( sais minerais, vitaminas e água) completam a lista de necessidades do organismo.

 

Orientações Básicas

1.      Ao se alimentar, boa parte do fluxo sangüíneo será utilizado pelo sistema digestivo, ocasionando uma diminuição do fluxo sangüíneo para o cérebro. A pessoa fica mais sonolenta e mais lenta.  Recomenda-se fracionar os alimentos para não sobrecarregar o sistema digestivo ou após a alimentação, esperar  2h para que a digestão seja completada.

2.      Beber água antes, durante e depois da caminhada. A água é importante na metabolização dos alimentos, regulação da temperatura corporal e hidratação. Recomenda-se tomar 3 litros de água ou mais, dependendo do tipo de caminhada executada e o clima. A perda de água resulta em desidratação, que afeta diretamente a performance do indivíduo.

3.      A necessidade de reposição eletrolítica (bebidas isotônicas) pode ser suprida pela alimentação adequada e ingestão de líquidos. Recomenda-se a ingestão de bebidas isotônicas somente para aqueles que executam atividades muito intensas e com grande perda de água e sais minerais.

4.      Café e chá devem ser evitados durante a caminhada por terem ação diurética.

5.      As bebidas alcóolicas devem ser evitadas porque apresentam uma falsa impressão de que esquentam o corpo, mas o que acontece é que o álcool rouba energia e calor do corpo para sua degradação. A falsa sensação de calor advém do seu efeito vasodilatador momentâneo.

6.      Água segura para se beber durante as caminhadas é aquela que parece “brotar” do solo, mas é recomendável o uso de cloro para purificar a água encontrada durante a caminhada. 

 

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Condicionamento Físico
Kristian Klausener
Centro de Praticas Esportivas da USP

                        É de fundamental importância um bom condicionamento físico, a todas as pessoas que se aventuram em locais distantes e sem recursos. As trilhas, são classificadas em função dos seus níveis de dificuldades, e este deve ser um dos parâmetros a ser considerado pelo praticante.

                        O cansaço durante o percurso pode levar todo o grupo a atrasos consideráveis, criando outras necessidades como por exemplo de pernoitar na mata ou em locais não planejados. Deve se considerar, que a falta de condicionamento leva não só a um esgotamento físico mas a um descontrole emocional. Este descontrole diminui a coordenação motora facilitando ainda mais, as lesões como entorses e também  quedas.

                        Com estas considerações, deve se classificar as condições de condicionamento físico aos níveis de dificuldades das caminhadas, por segurança do indivíduo e do grupo, e também pela própria preservação do ecossistema, numa caminhada controlada evitando esbarrar e tropeçar, deixando intacto o local da passagem do trilheiro. Também deve ser considerado o numero de dias de caminhada, a bagagem a ser levada (peso da mochila etc...) e o clima (temperatura, umidade, vento). No planejamento da viagem deve se ter em mente a necessidade de uma preparação especifica para a situação, como o treinamento minucioso de um atleta.

                        Deve se considerar que; para a preparação física surtir efeitos, são necessárias um certo volume e intensidade de trabalho, para que haja alguma alteração no condicionamento físico.  Todos estes dados farão parte  do planejamento de um programa de treinamento, visando a excelente performance na sua aventura.

                        Manter-se dentro de um programa de treinamento físico, é poder realizar-se, ao alcançar  objetivos de viagens mais difíceis e bonitas. Outro objetivo seria o prazer de se sentir bem fisicamente e psicologicamente, obtendo simplesmente um excelente nível de saúde e melhora da aptidão física.

Melhor é quando unimos o útil ao agradável. Seja bem vindo a caminhada.

 

Mudança no Estilo de Vida

                         Alertamos, para a necessidade de conhecermos mais profundamente, a importância de realizarmos um trabalho de condicionamento físico. Não somente no aspecto imediatista da plena realização da viagem, mas dos benefícios no plano da saúde, na melhoria da qualidade e estilo de vida.

                        Após conhecermos o quanto importante é para a nossa vida a realização de uma atividade física, se torna necessário querer realizar algumas mudanças na nossa vida para praticarmos algum esporte de forma regular e sistemática. Devemos nos esforçar, para criar novos valores e hábitos, pois muitos são os obstáculos e alegações que impedem uma ação transformadora  do sujeito (falta de tempo, distância para praticar, recursos financeiros etc...).

                        Incorporar estes valores é interagir, aplicar o conhecimento ou teoria na prática, transformando em ação os valores que realmente acreditamos. Ao alcançarmos esta capacidade, alcançamos a plenitude desejada.

 Cuidados Necessários para a prática da atividade física

 Ø      Consultar um Prof. de Educação física

Ø      Consultar um médico

Ø      Fazer um teste ergométrico (indivíduos com mais de 30 anos)

Ø      Escolher roupas e tênis adequados

 

IMPORTÂNCIA DO AQUECIMENTO PARA A CAMINHADA

                        A preparação do andarilho, antes de iniciar a sua caminhada é muito importante. Cabe aí, um “espreguiçar” do organismo, preparando-o para as tarefas a serem enfrentadas. Preparar  o corpo e a mente para o esforço a ser feito, diminuindo as possíveis lesões,  melhorando a coordenação como um todo.

                        Entende-se como aquecimento, o alongamento muscular e alguns exercícios de resistência muscular (“força” ou contração da musculatura), de forma a preparar o organismo para uma sobrecarga, principalmente para o caso de se iniciar  uma trilha já íngreme ou acidentada ou com obstáculos. Também para preparar para o sobrepeso da  mochila ou para o trabalho muscular em terrenos irregulares.

                        Iniciamos o aquecimento com o espreguiçamento matinal, despertando o corpo e a mente para a atividade a ser realizada. Sugerimos um ligeiro alongamento da musculatura e dos tendões que serão mais usados durante a trilha, sem exagero, alongar de forma a sentir o início da “dor “ do alongamento. Após este alongamento estático ( mantendo esta posição por uns 10 segundos), sugerimos um alongamento de forma balanceada, sem exagero (sentindo portanto um ligeiro princípio de “dor” no alongamento). Este sendo realizado com o balançar do corpo de forma a trabalhar o alongamento do músculo com o sucessivo acompanhamento e contração do antagonista (músculo contrário a aquele que está sendo alongado). Exercendo um equilíbrio tônico muscular, preparando assim a contração do músculo antagonista  durante o alongamento do agonista.

                        Realizaremos a seguir, alguns exercícios de resistência muscular, através do peso do próprio corpo e ou com sobrecarga, podendo se usar o peso do próprio equipamento (mochila etc...). Isto se torna necessário, no caso da trilha ser considerada forte no início da caminhada, sendo muito acidentada e exigindo do trilheiro uma ação mais  forte desde o início, sem que haja uma preparação de forma gradativa, do esforço realizado pelo corpo .

O ATO DA CAMINHADA

                       

                        Caminhar parece fácil, mas se nós ficarmos atentos aos detalhes, perceberemos que nós cometemos vários  erros. Por exemplo, quantas pessoas você observa na rua caminhando, que pisa primeiro com o calcanhar passando sucessivamente para o meio do pé, terminando na parte anterior, ou “ponta do pé”?.

                        Quando falamos em apoio do pé no chão, devemos primeiro avisar que durante a caminhada em percursos com desníveis (aclive ou declive), o pé deve estar totalmente apoiado no chão, para que se tenha total equilíbrio e sustentação do corpo, impedindo-se de se escorregar. De toda forma a maior concentração do peso do corpo se situa na parte anterior do pé, não devendo o “peso do corpo”, cair muito nos artelhos ou no calcanhar. Obviamente tudo isto depende da inclinação do terreno: se esta inclinação for muito acentuada, a tendência é cair obviamente mais para uma das extremidades do pé.

                        Mas, quando falamos em lugares mais plano,  e numa velocidade ou ritmo de caminhada tranqüila e portanto com pouca amplitude de passadas. O apoio do pé deverá ocorrer primeiro na sua parte anterior (sem que o peso fique mais nos dedos do pé) e logo a seguir pelo amortecimento da articulação, o calcanhar (parte posterior do pé) apoiara-se por sua vez  no chão, para logo em seguir voltar para a parte anterior e de terminar no apoio dos dedos (artelhos).

                        Se estivermos numa velocidade mais rápida ou numa corrida. O calcanhar é que encostará primeiro no chão, mas o peso do corpo não deverá ser “jogado”, neste momento. Logo a seguir a parte anterior do pé encostará no chão, e neste momento é que o “peso do corpo” deverá “cair”, para em seguida termos o apoio dos dedos (artelhos) do pé, que terminará empurrando o chão para trás, impulsionando o corpo para frente. Este é o ato de “palmilhar”, que devemos adequar a nossa marcha ou corrida. Saber distribuir o peso do corpo de forma adequada é fundamental, para não sobrecarregarmos nossas articulações, principalmente a do joelho.

                        Neste aspecto, também devemos observar se apoiamos o peso do corpo, a cada passada, mais na borda interna ou externa do pé. O apoio do pé deve estar uniformemente distribuído.

                        Quanto a coluna, esta deverá estar ereta, portanto com a cabeça elevada olhando preferencialmente o horizonte e sem curvar as costas. Os braços balançando no sentido ântero-posterior (da frente para trás) sem cruzar na frente do corpo, estando estes relaxados e portando flexionados num angulo de aproximadamente 120 graus, e não estendido como muitos fazem para “relaxar”. Mas o mais importante é deixar os ombros soltos, sem encolhe-los para cima e movimentando os também juntos com os braços. Estes detalhes são muito importantes pois eliminam quaisquer tensão e consequentemente desgaste e cansaço do corpo.

 

 

Página elaborada por F. Berchez

Última atualização março 2004