Um pai inteligente vai gerar um filho inteligente?

Estudos que buscam identificar se há uma base genética para certos tipos de deficiência mental têm revelado que há muitos genes cuja alteração pode levar à problemas cognitivos. Esses problemas podem ter outros tipos de causas genéticas, como grandes alterações estruturais e numéricas dos cromossomos e variações de pequeno tamanho do número de cópias de diversas regiões do DNA. Mas, o que dizer sobre a “eficiência cognitiva”? A inteligência é uma característica que pode ser passada de pai para filho? E como ocorre essa transmissão: pelos genes, como a cor dos olhos e outras características físicas, ou socialmente, pela convivência familiar? Estudos da década de 1960 já indicavam que pais com coeficiente de inteligência (QI) alto têm grande probabilidade de terem filhos com QI igualmente elevado. No entanto, é difícil determinar quanto deste resultado é devido aos genes ou aos fatores sociais e culturais.

Uma pesquisa cujos resultados foram publicados em 2012 trouxe novamente à tona essa antiga discussão. Trata-se de um estudo que tenta associar diretamente alguns genes à inteligência humana. A pesquisa avaliou imagens de ressonância magnética funcional e amostras de DNA de mais de 20 mil pessoas. Os pesquisadores identificaram uma versão do gene HMGA2 associada a um maior volume intracraniano, particularmente na massa cinzenta.

Os cientistas observaram, ainda, que essa variação estrutural está correlacionada a um desempenho levemente superior em testes de QI, da ordem de 1,29 pontos. Os testes usados para avaliar o coeficiente de inteligência estimam a capacidade intelectual e o valor médio é de 100 pontos. Ou seja, o efeito observado, embora mensurável, é muito pequeno - tanto que demandou uma amostragem muito ampla para ser identificado.

Assim, em vez de indicar um “gene da inteligência”, o estudo acabou corroborando os achados anteriores de que a base genética do desempenho cognitivo está associada à ação de um conjunto de genes. Mais que isso, trata-se de outro caso de herança multifatorial, em que o contexto, ou seja, o ambiente desempenha um papel fundamental no desenvolvimento da característica. Podemos dizer, então, que a formação de um bom escritor pode depender mais do acesso a uma boa biblioteca durante sua formação que de seu genoma em si.

E faz mesmo todo o sentido que assim seja se formos pensar num significado mais amplo para o conceito de inteligência, que não se refere somente ao raciocínio lógico. A inteligência é uma função cognitiva ampla que, entre outros aspectos, envolve a capacidade de raciocinar, planejar, resolver problemas, pensar abstratamente, compreender ideias complexas e aprender com a experiência. Por esse motivo, dizemos que ela é multifatorial, pois depende de diversos estímulos ambientais, mas também #estánoDNA.