O que a comparação entre espécies nos informa?

Comparar a sequência de nucleotídeos de espécies diferentes produz muitos dados sobre a evolução dos seres vivos. Quanto maior o grau de semelhanças entre o DNA de duas espécies distintas, maior é o grau de parentesco evolutivo entre elas, ou seja, essas espécies descendem de ancestrais comuns mais próximos.

Podemos pensar da seguinte forma: se as duas espécies não têm nenhum grau de parentesco, por qual motivo apresentariam sequências de nucleotídeos tão semelhantes? Sendo assim, a análise dos valores obtidos pela comparação dos genomas da espécie humana com os genomas do chimpanzé, da mosca e do arroz permite reforçar a ideia de que o ser humano possui um grau de parentesco maior com o macaco que com a mosca.

Já o arroz, que apresenta muitas diferenças ao ser comparado com a espécie humana, possui inúmeros trechos de DNA idênticos ao nosso, sugerindo um grau de parentesco conosco. Alguns desses trechos conservados do DNA devem possuir informações essenciais para a sobrevivência desses seres vivos tão diferentes. Entre o ser humano e a mosca-de-frutas, são mais de 1.500 trechos comuns que asseguram as funções vitais dessas duas espécies.

Ao compararmos a sequência de nucleotídeos de DNA de uma espécie de morcego com a de um homem ou com a de uma ave, qual dessas duas últimas apresentaria o maior número de semelhanças com a primeira? Pode parecer estranho, mas encontramos mais semelhanças entre o DNA humano e o de morcegos que entre o deles e o de suas companheiras também voadoras, as aves. Isso porque os morcegos possuem um maior grau de parentesco conosco que com as aves, ou seja, nosso ancestral em comum com eles é mais próximo que o que temos, seres humanos e morcegos, com elas.

Outra aplicação importante desse conhecimento gerado pela comparação entre genomas de diferentes espécies é compreender como a estrutura do material genético foi se modificando ao longo da evolução. Por exemplo, pudemos verificar que os microrganismos, como os vírus e as bactérias, não apresentam tantas sequências repetidas quanto os mamíferos, como os cães, os gatos e nós, seres humanos.

A identificação de sequências associadas a doenças genéticas humanas em outras espécies tem permitido também a utilização desses outros seres como modelos para o estudo de tratamentos para essas doenças, incluindo testes de medicamentos.